Resumo

  • No cenário de migração de RFC 9689, nós antigos continuam com LDP ou RSVP-TE, enquanto os novos recebem instruções PCECC; o controlador funciona como proxy na transição.
  • A disponibilidade do caminho não resolve a custódia. Identidade, confirmações por nó, troca no ingresso, estado órfão e limpeza precisam de recibos e autoridades separados.

O momento mais revelador vem depois da falha do PCE. Os rótulos que ele instalou não somem imediatamente; isso seria péssimo para a continuidade. Mas a permanência útil dessas instruções cria uma pergunta que um painel verde não responde: quem agora tem autoridade para manter o caminho, mudar o ingresso ou limpar o que ficou?

O RFC 9689 ajuda a localizar essa pergunta. No exemplo do Apêndice A.1, Node1 a Node3 seguem o modo de sinalização legado; Node3 pode representar os nós novos; PCECC programa a saída de Node3, a entrada e a saída de Node4 e a entrada de Node5. Um único LSP atravessa dois regimes operacionais.

É um cenário arquitetural, não um caso implantado. RFC 9689 é Informational, e o próprio apêndice reúne usos que não estavam em desenvolvimento ativo na publicação. Nada nas fontes demonstra comportamento de fornecedor, adoção ou resultado de produção.

A representação não elimina a fronteira

No lado antigo, LDP ou RSVP-TE produz vizinhanças, reservas e estado local. No lado central, RFC 9050 usa PCInitiate, PCRpt, PLSP-ID e CC-ID. O CC-ID vale dentro de uma sessão PCEP; ele não reconstrói, por conta própria, a identidade do trecho legado.

O proxy precisa, portanto, de um registro de correspondência exportável. Nele entram a mudança, o serviço, o LSP anterior, a interface de fronteira, a mensagem recebida, a regra de tradução, a saída emitida, o PCE, a sessão, todos os identificadores, a direção do rótulo, a geração pretendida e a geração de retorno. Entrada e saída não devem ser fundidas: a diferença entre elas é justamente a prova do que o proxy fez.

Sem esse registro, é possível ter rótulos tecnicamente válidos e custódia indeterminada. Um rótulo pode ser alocado pelo PCC, outro pelo PCE, enquanto uma reserva antiga ainda existe. A linha “UP” não revela qual autoridade pode excluir cada um.

Confirmações locais formam uma sequência, não um commit

RFC 9050 manda a instrução a cada PCC e exige resposta. Rótulo fora da faixa ou falha de instalação gera erro explícito. Ainda assim, cada resposta atesta apenas um processamento local. O PCE deve provar que todos os recibos necessários pertencem à mesma geração e cobrem ingresso, trânsito e saída antes do corte.

Na atualização make-before-break, a ordem importa: instalar instruções novas, mandar o ingresso trocar, receber seu relato e só então apagar instruções antigas. Em cada intervalo, o significado do estado muda. Antes da troca, o novo caminho pode consumir recurso sem carregar serviço. Depois da troca, duas gerações podem coexistir. Depois da limpeza PCECC, o lado LDP ou RSVP-TE ainda pode manter reserva ou associação.

Por isso, rollback não é um verbo único. Antes do corte, remove-se somente a geração nova incompleta. Depois do corte, restaura-se primeiro um caminho autorizado. Depois da retirada do estado antigo, retornar pode exigir reconstrução. Desligar o controlador não executa essas decisões.

Estado órfão exige custódia explícita

RFC 9050 conserva CCI até o State Timeout Interval e permite que outro PCE assuma instruções órfãs. RFC 8283 mostra que controladores paralelos precisam sincronizar e que preservar mudanças durante falhas é um problema real.

O novo PCE não deve confundir conectividade com conhecimento. Ele precisa recuperar a última geração completa, nós confirmados e pendentes, estado do ingresso, dependências legadas, limpezas incompletas, prazos e a política que autoriza adoção ou remoção. Sincronizar rótulos encontra diferenças; não recria uma decisão de mudança que nunca foi registrada.

Um recibo de migração defensável separa dez fatos: fronteira, protocolos, mapa de identidade, estado legado, entrada e saída do proxy, confirmações PCECC, autorização do ingresso, observação de encaminhamento, limpeza em ambos os lados e teste de perda do controlador. Somente depois esses fatos podem sustentar a frase “migração concluída”.

O valor do proxy está em permitir adoção gradual. Tratar essa ponte como poder unificado sobre o caminho inteiro faria a operação perder exatamente a clareza que a coexistência exige.

Fontes