Resumo

  • Talal Haj Bakry e Tommy Mysk descreveram três rotas que podem ignorar um proxy configurado no WebKit: pré-busca DNS, Related Origin Requests do WebAuthn e WebTransport.
  • A pré-busca pode revelar o resolvedor DNS real; as rotas WebAuthn e WebTransport podem expor o endereço IP real do dispositivo a um destino controlado pelo site.
  • Segundo os pesquisadores, os mecanismos chegaram no iOS 18.0, iOS 26.0 e iOS 26.4, respectivamente, mas a quantidade de dispositivos afetados não foi medida.
  • Em 5 de agosto, o TechCrunch testou a prova de conceito e informou que ela mostrou seu endereço real mesmo com o Private Relay ativado.
  • A Apple documenta o Private Relay como proteção de dois saltos para Safari, consultas DNS e parte do HTTP inseguro, não como VPN de todo o sistema.
  • O Psylo 1.3.1 aplicou mitigações locais; até o corte, não havia confirmação de resposta da Apple, CVE, correção de plataforma ou exploração em campo.

A responsabilidade se divide antes de o pacote chegar ao relay

O modelo da Apple separa as informações: um relay conhece a origem sem conhecer o destino, e outro conhece o destino sem receber a identidade original. Essa separação pode continuar íntegra para o tráfego que entra nela. Os testes publicados apontam para um problema anterior: algumas conexões disparadas por uma página não são entregues ao caminho protegido.

O proprietário técnico muda: DNS aciona a resolução do dispositivo, WebAuthn passa ao serviço do sistema e WebTransport monta outro canal. Para a pessoa, tudo pertence ao Safari; para a rede, são emissores com políticas diferentes.

WebTransport torna visível a lacuna entre aplicativo e sistema

WebTransport oferece fluxos e datagramas de baixa latência sobre HTTP/3 e QUIC. Mysk afirma que o WebKit cria essa conexão sem copiar a configuração de proxy da sessão. O servidor recebe uma conexão direta e pode ver o IP real do dispositivo, não o endereço do relay.

Desativar um transporte útil não é solução. Uma conexão filha deve herdar o caminho protegido, ser negada ou pedir uma exceção compreensível; a biblioteca não deve decidir isso silenciosamente.

A validação do WebAuthn pode ocorrer sem autenticação visível

Related Origin Requests permite usar uma credencial entre domínios relacionados. Para confirmar a relação, o serviço de credenciais busca um arquivo no domínio declarado. Segundo a pesquisa, essa requisição parte do sistema operacional, fora da pilha proxy do Safari, e revela o IP real ao servidor consultado.

Não é preciso concluir um login com passkey. Com mediação condicional, a verificação pode acontecer sem interface. O ponto de controle, portanto, não é o consentimento para autenticar. É a capacidade de uma página mandar outro serviço abrir uma conexão fora do relay antes de a pessoa tomar uma decisão explícita.

A pré-busca DNS produz outro tipo de evidência

Uma página usa dns-prefetch para resolver antecipadamente um nome. Os pesquisadores observaram que o WebKit pode enviar a consulta pelo caminho DNS normal do dispositivo mesmo com proxy configurado. Um subdomínio exclusivo por visitante permite que o servidor DNS autoritativo reconheça o resolvedor ou o contexto de rede real em vez do resolvedor do proxy.

Isso não significa necessariamente que o servidor web recebeu o IP público exato. Cache, recursão e topologia do provedor alteram o que aparece. Ainda assim, o caminho entra em conflito com a proteção de DNS descrita pela Apple. Separar “vazamento de resolvedor” de “conexão direta” evita exagerar a prova e ajuda a escolher a correção certa.

O escopo documentado não elimina a expectativa do usuário

A Apple diz que o Private Relay protege navegação no Safari, resolução DNS e tráfego HTTP inseguro de aplicativos. Ele troca o endereço original por um endereço de relay e preserva localização aproximada. Uma VPN costuma operar no nível do sistema; Mysk diz que os três desvios específicos não afetam VPNs da mesma forma.

Nem todo pacote está protegido, nem todo Private Relay foi furado. Requisições web parecem parte da sessão, mas componentes internos as põem fora do perímetro. Esse limite invisível precisa ser redesenhado ou sinalizado.

O remendo no navegador não encerra a obrigação da plataforma

O Psylo 1.3.1 bloqueia pré-busca DNS e desliga WebTransport e WebAuthn por padrão, com liberação por silo. É uma contenção imediata que privilegia privacidade e aceita possível perda de compatibilidade. Os pesquisadores também disseram ter alertado o Tor Project e os desenvolvedores do Onion Browser.

O TechCrunch informou que a Apple não respondeu de imediato. Os pesquisadores declararam que não fizeram divulgação prévia à empresa, citando experiências anteriores. Não havia CVE ou patch da Apple confirmado no corte. Isso mantém o caso aberto; não comprova que a empresa aceitou ou rejeitou o diagnóstico. O fechamento precisa alinhar WebKit, serviço de credenciais, transporte e relay, seguido de reteste independente.

Fontes