Resumo
- A ANGONIX é o ponto de intercâmbio de internet nacional de Angola, em operação desde 16 de março de 2015 como plataforma neutra gerida pela Angola Cables e hospedada no centro de dados AngoNAP Luanda.
- A base passou de 17 membros em julho de 2017 para 23 pares e 25 conexões em março de 2025, com pico anual de entrada e saída de 63 Gbps em 24 de fevereiro de 2026.
- A Angola Cables opera mais de 33.000 km de cabos submarinos, entre eles SACS e MONET, e anunciou em outubro de 2026 uma expansão que leva os serviços a até 800 Gb/s.
- Os números descrevem capacidade de interconexão oferecida e tráfego trocado, não a parcela do tráfego angolano que termina dentro do país.
Uma plataforma neutra em Luanda
A ANGONIX se descreve como o ponto de intercâmbio de internet nacional de Angola: uma plataforma neutra onde operadoras, provedores de conteúdo e redes internacionais trocam tráfego para reduzir latência e evitar que o tráfego local saia do país e volte. É operada pela Angola Cables e hospedada no centro de dados AngoNAP Luanda, com interconexão pública e privada disponível (descrição da ANGONIX, informações do operador).
A base de membros documentada
Os registros de interconexão mostram 17 membros em julho de 2017 e 23 pares com 25 conexões em março de 2025. A composição reúne operadoras e provedores angolanos — Unitel, ZAP, Africell, Angola Cables, Angola Telecom, Movicel e MS Telecom —, instituições financeiras nacionais como Banco Atlântico, Banco BAI e Banco Nacional de Angola, e redes e provedores de conteúdo internacionais como Meta, Microsoft, i3D.net, VeriSign Global Registry Services, Paratus Africa e CMC Networks; a i3D.net foi o primeiro cliente estrangeiro de peering da troca, em 2017 (registro de membros, base de pares).
Tráfego
Em 24 de fevereiro de 2026, o máximo anual de entrada e saída chegou a 63 Gbps, contra 10,8 Gbps em julho de 2017; em março de 2025, os servidores de rotas informavam níveis entre 50 e 100 Gbps. São números divulgados pela própria plataforma, e não medições independentes: cada valor está ligado a uma data e a quem o publicou (estatísticas de tráfego).
A camada de cabos que sustenta a conectividade angolana
A empresa que opera a troca também opera a camada de cabos submarinos. A Angola Cables administra mais de 33.000 km de cabos, entre eles o Sistema de Cabo do Atlântico Sul (SACS), que entrou em serviço em 26 de setembro de 2018 como o primeiro cabo a ligar diretamente a África à América do Sul, entre Sangano, em Angola, e Fortaleza, no Brasil, com capacidade inicial de projeto de 40 Tb/s em quatro pares de fibra, e o cabo MONET, que conecta o Brasil aos Estados Unidos. A combinação de SACS e MONET oferece uma rota direta de baixa latência entre Angola e os Estados Unidos, com ida e volta de aproximadamente 130 milissegundos (contexto do SACS, estação de chegada em Fortaleza).
Em outubro de 2026, a Angola Cables anunciou a ampliação de capacidade nas redes MONET e SACS com tecnologia óptica da Ciena, sustentando serviços de até 800 Gb/s em resposta à demanda de hyperscalers, provedores de nuvem e aplicações de inteligência artificial nas rotas que ligam Estados Unidos, Brasil e Angola (anúncio da expansão, contexto técnico da expansão).
A lacuna que os números não fecham
Os números divulgados descrevem duas coisas diferentes: a capacidade dos cabos no Atlântico e as portas de interconexão em Luanda. Um cabo com capacidade de projeto de 40 Tb/s só reduz a latência de uma operadora angolana na medida em que essa operadora troque tráfego localmente. As evidências disponíveis não permitem quantificar a parcela do tráfego angolano resolvida dentro do país nem os preços praticados nas portas da troca; também não há dados públicos sobre acordos de peering específicos. Por isso, este texto trata cada número como uma declaração datada de quem a publicou, e não como uma medição verificada de forma independente.
A ficha do objeto no diretório público está disponível em página da ANGONIX no diretório.
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