Resumo
- RFC 2918 permite solicitar o Adj-RIB-Out atual de um peer capaz para um AFI/SAFI negociado; o peer preserva sua própria export policy.
- RFC 7313 delimita a repetição com BoRR e EoRR, marca entradas antigas como stale, substitui as que voltam e remove as ausentes no fim.
- Comando bem-sucedido ou sessão estável não prova efeito: prefixes, attributes, seleção, FIB e tráfego precisam ser comparados.
Um operador corrige um inbound filter que rejeitava duzentos prefixes legítimos. O commit entra, mas os anúncios descartados não reaparecem por vontade própria. Sem cópia bruta, a nova regra não tem inputs para julgar.
Uma policy mais restritiva sofre o mesmo problema: as rotas já aceitas podem continuar em estado local até uma nova avaliação. O arquivo pode estar correto e a RIB ainda representar a decisão anterior.
Inbound soft reconfiguration guardava todos os updates sem alteração, inclusive os rejeitados. Isso dava independência local para reprocessar, ao custo permanente de memória e CPU.
RFC 2918 troca a localização desse custo. Capability code 2 informa que o speaker recebe ROUTE-REFRESH. O requester só envia depois de receber a capability do peer e escolhe um AFI/SAFI negociado.
O peer reanuncia o Adj-RIB-Out atual conforme seu outbound filtering. O solicitante não lê banco remoto nem exige rota filtrada. Ele ouve de novo apenas o que o vizinho decide exportar hoje.
Não é arquivo histórico. Rotas antigas podem ter sido retiradas, novos caminhos podem existir, atributos e policy remota podem ter mudado. A saída combina dois presentes.
Por isso, contagem não atribui causa. Quinhentas rotas a menos podem vir do novo filtro local, de withdraw remoto ou de export diferente. Prefixes e attributes exatos, com tempo, são necessários.
RFC 2918 básico não marcava o começo e o fim de uma repetição completa. UPDATE normais podiam se misturar; a ausência temporária não dizia se uma rota sumiu ou ainda viria.
RFC 7313 cria Enhanced Route Refresh, code 70. BoRR abre a época; EoRR fecha. Ao receber BoRR, o receptor marca stale todas as rotas daquele peer e AFI/SAFI. As que voltam substituem entradas; EoRR remove as restantes.
O fluxo continua vivo. Mudanças durante o ciclo podem ser anunciadas. EoRR prova conclusão da época, não correção de cada rota nem restauração do passado.
O receptor pode impor limite local para stale e limpar sem esperar indefinidamente. Um limite curto demais, porém, remove rotas saudáveis durante replay lento.
EoRR difere do End-of-RIB do Graceful Restart. Um fecha reanúncio; outro coordena continuidade de control plane. RFC 7313 separa os dois para impedir limpeza prematura.
Inbound e outbound soft reset têm donos diferentes. Inbound pede replay remoto ou usa cópia local; outbound regenera anúncios próprios. A mesma palavra “soft” não significa a mesma fonte de estado.
Documentação Cisco mostra três caminhos: refresh dinâmico com capability, reprocessamento de cópia armazenada ou hard reset quando nenhum existe. O último derruba a session e amplia o dano a toda a reachability.
A escolha contrapõe recurso e dependência. Armazenar input compra autonomia com memória. Route Refresh economiza estado contínuo, mas depende do peer e de seu export atual. Hard reset expande o blast radius.
FRRouting observa que controles que precisam contar rotas rejeitadas ainda podem exigir soft-reconfiguration inbound. Pedir o fluxo atual não cria inventário durável para qualquer finalidade.
RFC 5291 define ORF como capability separada. O receptor pode comunicar alguns filtros ao sender, mas ROUTE-REFRESH comum não edita a política remota.
Antes da mudança, registre basic e enhanced capability anunciada e recebida por sentido e AFI/SAFI. Suporte local não prova resposta do vizinho; suporte básico não prova BoRR/EoRR.
Crie baseline com prefix/attribute, conjunto aceito, best paths, policy version, uptime e FIB next hop. Se as rotas rejeitadas forem invisíveis, declare a lacuna.
Comece com um peer e uma família. Registre request, BoRR, EoRR e duração. Observe ausência de fim, stale timeout, CPU, reset, withdraw e mudança de best path.
Compare conjuntos, não totais. Dez remoções e dez inclusões mantêm o número. Aggregate e more-specifics mudam escala. Community alterada pode mudar resultado sem mudar NLRI.
Verifique forwarding. Uma rota aceita pode perder seleção, ter next hop sem resolução ou conduzir a enlace sem capacidade. Refresh entrega input, não pacotes.
Rollback também requer replay. Restaurar o texto antigo não restaura decisões automaticamente. Se o peer mudou seu export, retornar à fotografia exata pode ser impossível.
Automação deve limitar concorrência. Refresh de muitos peers produz UPDATE e recomputação. “Soft” evita teardown deliberado; não elimina trabalho.
A especificação mínima de Heng Lu aparece no pedido estreito: peer, família, reanúncio. Cada AS conserva policy. Running-code primacy exige capability negociada, época observada, RIB diff e FIB, não a mensagem de sucesso.
Route Refresh separa correção de policy e destruição de sessão. Não separa correção e prova. Só as rotas que voltaram, foram julgadas e alteraram forwarding mostram autoridade efetiva da regra nova.
Sources
- RFC 2918: Route Refresh Capability
- RFC 7313: Enhanced Route Refresh
- RFC 4271: BGP-4
- RFC 5291: Outbound Route Filtering
- RFC 4724: Graceful Restart
- Cisco: dynamic inbound soft reset
- Cisco IOS XR: soft clear
- FRRouting: documentação BGP
- Heng Lu: primazia do código em execução
- Heng Lu: especificação inicial mínima
- Heng Lu: soberania de dados
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