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Governança da internet refere-se às regras, políticas, padrões e práticas que coordenam e moldam o ciberespaço global.
- A Internet é uma vasta rede de redes gerenciadas de forma independente, interconectadas por protocolos de comunicação de dados padronizados globalmente (principalmente, Protocolo de Internet, TCP, UDP, DNS e BGP).
- A adoção e o uso comuns desses protocolos unificaram o mundo da informação e das comunicações como nunca antes. Milhões de dispositivos digitais e enormes quantidades de dados, aplicativos de software e serviços eletrônicos tornaram-se compatíveis e interoperáveis. A Internet criou um novo ambiente, um “ciberespaço” complexo e dinâmico.
A revelação de métodos controversos de vigilância dos EUA, como espionar certos líderes estrangeiros, gerou uma discussão global sobre governança da internet. Alguns países querem usar esse escândalo para diminuir o controle dos Estados Unidos sobre processos-chave da internet gerenciados pelaInternet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), sediada nos EUA, que supervisiona identificadores únicos, como endereços IP e nomes de domínio. No entanto, a conversa sobre governança da internet abrange uma ampla gama de questões, desde a liberdade de expressão até comércio, privacidade, cibersegurança e soberania nacional.
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O que é governança da internet?
A governança da internet é o processo complexo pelo qual várias partes interessadas — governos, empresas do setor privado, grupos da sociedade civil e comunidades técnicas — colaboram para moldar a estrutura, funcionalidade e uso da Internet. Esse esforço colaborativo visa estabelecer princípios, normas, regras, procedimentos de tomada de decisão e programas compartilhados que definem como a Internet evolui e opera.

Essa definição foi elaborada peloGrupo de Trabalho sobre Governança da Internet (WGIG)em 2003. Esse grupo foi convocado durante a fase inicial da Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS), na qual o Secretário-Geral da ONU encarregou o WGIG de identificar e esclarecer as questões de políticas públicas pertinentes à governança da internet. O relatório do WGIG foi fundamental; não apenas definiu a governança da internet, mas também recomendou estruturas-chave para lidar com essas questões complexas.
Um dos resultados significativos das recomendações do WGIG foi o estabelecimento doFórum de Governança da Internet (IGF). O IGF serve como uma plataforma global de diálogo entre todas as partes interessadas, permitindo uma troca de ideias sobre questões de políticas públicas relacionadas à Internet. É um fórum não decisório onde os princípios políticos podem ser debatidos e as melhores práticas compartilhadas, promovendo uma abordagem mais inclusiva e democrática para a formulação de políticas de internet.
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O escopo dagovernança da internetinclui áreas críticas como gerenciamento de endereços de protocolo de internet, sistemas de nomes de domínio, cibersegurança, proteção de privacidade e exclusão digital. Cada aspecto requer uma abordagem diferenciada, considerando os diversos interesses e capacidades de diferentes países e entidades.
Além disso, a governança da internet não é estática; ela evolui com a tecnologia e as necessidades da sociedade. Por exemplo, com o advento de tecnologias como blockchain, IoT (Internet das Coisas) e IA, surgem novos desafios de governança, relacionados à soberania de dados, uso ético da IA e democratização da infraestrutura da internet.
O que é oFórum de Governança da Internet (IGF)?
O Fórum de Governança da Internet (IGF) foi estabelecido pela Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS) em 2005, com sua reunião inaugural ocorrendo em Atenas em 2006. Ao contrário de outros organismos internacionais que podem ter poderes decisórios, o IGF é projetado especificamente como uma plataforma de discussão, não de tomada de decisão. Esse papel único o torna um local essencial para promover um diálogo inclusivo sobre governança da internet, garantindo que as nações em desenvolvimento tenham oportunidades iguais aos países mais ricos de participar na definição do futuro da Internet.
O principal objetivo do IGF é facilitar uma discussão aberta, inclusiva e transparente entre diversas partes interessadas. Isso inclui não apenas governos, mas também grupos da sociedade civil, o setor privado, comunidades técnicas, academia e usuários individuais da Internet. O fórum visa preencher a lacuna entre diferentes interesses e perspectivas, permitindo uma exploração aprofundada de questões novas e contínuas na governança da internet.
A participação no IGF é aberta a qualquer pessoa interessada, e o credenciamento é gratuito, o que democratiza significativamente o acesso a essas conversas cruciais. Essa inclusão é vital para o desenvolvimento sustentável e equitativo da Internet. A estrutura do IGF apoia isso organizando sessões em torno de vários temas que refletem os desafios atuais e futuros na governança da internet, como cibersegurança, inclusão digital, privacidade e economia digital.

Normalmente, o IGF atrai entre 1500 e 2200 entidades de todo o mundo, reunindo uma rica tapeçaria de experiências e conhecimentos. Essas entidades participam de uma série de workshops, painéis e fóruns abertos onde podem discutir implicações políticas, compartilhar melhores práticas e considerar como maximizar oportunidades enquanto identificam tendências, riscos e desafios emergentes. Uma das colaborações notáveis do IGF é com a Coalizão Dinâmica sobre Acesso Público em Bibliotecas, que se concentra em melhorar o acesso público à informação por meio de bibliotecas globalmente.
A natureza anual do IGF, geralmente realizado no último trimestre do ano, oferece uma oportunidade consistente para esse diálogo global. Por exemplo, em 2015, o fórum foi sediado em João Pessoa, Brasil, onde as discussões giraram em torno de temas como o fortalecimento da cooperação multissetorial e a abordagem dos desafios da política global de internet.
Além disso, para além dessas reuniões globais anuais, também existem iniciativas regionais e nacionais do IGF que complementam o fórum global, permitindo discussões e ações ainda mais localizadas sobre questões de governança da internet. Esses eventos de menor escala ajudam a traduzir as discussões globais em contextos locais, garantindo que o diálogo sobre governança da internet não seja apenas de cima para baixo, mas também de baixo para cima, refletindo os desafios e oportunidades únicos em vários níveis de governança.
Assim, o IGF desempenha um papel fundamental no ecossistema global da internet, promovendo o diálogo, melhorando o entendimento mútuo e fomentando a cooperação entre todas as partes interessadas da internet, contribuindo assim para uma Internet mais equitativa, segura e acessível para todos.

As formas de governança da internet
A governança da internet, embora muitas vezes confundida com governo, abrange um espectro mais amplo e matizado de atividades destinadas a gerenciar e direcionar o desenvolvimento do ciberespaço. Ao contrário do governo tradicional, que opera dentro de fronteiras nacionais definidas, a governança da internet lida com questões que transcendem esses limites, apresentando desafios que as instituições nacionais podem achar complexos ou inadequados para lidar isoladamente.
Governança, nesse contexto, sugere uma estrutura descentralizada e cooperativa onde uma multidão de atores, incluindo desenvolvedores de padrões, operadores de rede, provedores de serviços, usuários, governos e organizações internacionais, trabalham juntos. Essa abordagem colaborativa é projetada para abordar e resolver questões, garantindo que os princípios fundamentais da Internet — abertura, interoperabilidade e acessibilidade — sejam mantidos.
Para entender melhor os mecanismos da governança da internet, podemos aplicar a lente da economia institucional, que identifica três formas primárias de governança: mercados, hierarquias e redes.
- Mercadosoperam por meio de transações privadas, onde os mecanismos de preços determinam a alocação de recursos. No contexto da Internet, isso pode envolver a compra e venda de nomes de domínio, largura de banda ou até mesmo serviços de cibersegurança, onde o preço reflete o valor ou a escassez desses recursos digitais.
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A governança da internet combina essas estruturas de forma única, muitas vezes inclinando-se para a autogovernança por parte dos agentes de mercado e comunidades. Por exemplo, o desenvolvimento de padrões para novas tecnologias ocorre frequentemente de forma descentralizada, impulsionado pelas necessidades da indústria e pela revisão por pares, em vez de diretivas de cima para baixo.
No entanto, a influência das políticas nacionais não pode ser subestimada. Os países promulgam leis e regulamentos que podem afetar profundamente a estrutura e o uso da Internet — pense em leis de localização de dados, regulamentos de privacidade ou práticas de censura.
Essa mistura de formas de governança destaca a natureza adaptativa e cooperativa necessária para gerenciar a Internet. À medida que o ciberespaço evolui, seus mecanismos de governança também devem evoluir. A natureza sem fronteiras da Internet introduz novos desafios, como crimes cibernéticos, soberania digital e exclusão digital, que os modelos tradicionais de governança podem não abordar adequadamente.
Assim, novas instituições e abordagens de governança estão continuamente surgindo, moldadas pela necessidade de cooperação além das fronteiras e setores, equilibrando o fomento à inovação com a proteção dos direitos e da segurança dos usuários.
A interação dinâmica entre mercados, hierarquias e redes na governança da internet reflete uma negociação contínua de poder, responsabilidade e inovação. É um modelo de governança que deve permanecer ágil, inclusivo e capaz de abordar não apenas o cenário atual da Internet, mas também suas possibilidades e perigos futuros.
Quem são os atores da governança da internet?
A governança da Internet é um assunto complexo e multifacetado, onde nenhuma entidade detém controle absoluto. Em vez disso, é um esforço coletivo moldado por uma gama diversificada de atores que influenciam seu desenvolvimento, funcionalidade e regulamentação. De acordo com definições e práticas estabelecidas, essa governança envolve um amplo espectro de participantes, incluindo:
- Governos: Eles desempenham um papel crucial na governança da internet por meio de legislação, formulação de políticas e regulamentação. Cada país pode ter abordagens diferentes para questões como privacidade, cibersegurança e regulação de conteúdo. Os governos nacionais também podem participar de acordos internacionais que impactam a governança global da internet.
- Organismos internacionais: Organizações como as Nações Unidas e suas agências (por exemplo, UIT – União Internacional de Telecomunicações) são atores-chave. Eles fornecem fóruns para o diálogo internacional e podem influenciar a política global por meio de tratados ou recomendações. A UIT, por exemplo, está envolvida na coordenação das operações globais de telecomunicações, o que afeta diretamente a infraestrutura da internet.
- Empresas: De gigantes da tecnologia a pequenas startups, as empresas contribuem significativamente para a governança da internet. Elas influenciam por meio de práticas no tratamento de dados, desenvolvimento de padrões e inovação na prestação de serviços. Empresas de tecnologia como Google, Amazon e Microsoft desempenham papéis na definição da arquitetura da internet por meio de seus serviços e, às vezes, pela participação em órgãos de governança.
- Comunidades técnicas: Grupos como a Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN) e a Força-Tarefa de Engenharia da Internet (IETF) são fundamentais. A ICANN gerencia o sistema de nomes de domínio, crucial para a funcionalidade da Internet, enquanto a IETF desenvolve padrões técnicos, garantindo interoperabilidade e inovação. Essas comunidades geralmente operam com base em modelos de consenso, em vez de controle hierárquico.
- Sociedade civil: Isso inclui ONGs, grupos de defesa e ativistas individuais que se concentram em questões como direitos digitais, acesso, privacidade e liberdade de expressão. Eles garantem que as vozes dos usuários, especialmente de comunidades marginalizadas ou sub-representadas, sejam ouvidas nas discussões sobre governança. Grupos como a Electronic Frontier Foundation ou Access Now são exemplos aqui.
- Academia e Think Tanks: Eles contribuem por meio de pesquisa, análise de políticas e educação. Universidades e instituições de pesquisa frequentemente fornecem a base teórica e empírica para a compreensão das questões de governança da internet, enquanto os think tanks podem oferecer recomendações de políticas ou críticas aos modelos atuais de governança.

O observatório Digital Watch categoriza esses atores ainda mais, reconhecendo que alguns podem se encaixar em várias categorias. Por exemplo, uma empresa de tecnologia também pode se envolver em atividades de think tank, ou uma instituição acadêmica pode contribuir para órgãos de definição de padrões como a IETF. Essa categorização ajuda a entender a natureza multifacetada da governança da internet, onde os papéis podem ser fluidos e sobrepostos.
Juntos, esses atores formam um ecossistema onde a governança não é apenas sobre controle, mas também sobre colaboração, negociação e, às vezes, contenda. Esse ecossistema é dinâmico, com novos atores surgindo à medida que a tecnologia e as necessidades da sociedade evoluem.
O Fórum de Governança da Internet (IGF) serve como uma plataforma onde esses diversos atores podem se reunir, discutir e, às vezes, resolver essas complexas questões de governança, garantindo que a Internet permaneça um espaço para inovação, livre expressão e conectividade global.
Outros termos: Política digital, governança digital, cibergovernança, política de internet
Mais de uma década após a WSIS, o conceito de 'governança da internet' continua a ser objeto de diversas interpretações. Nos diálogos sobre políticas públicas, os profissionais costumam empregar uma variedade de termos, às vezes usando-os de forma intercambiável, incluindo política digital, governança digital, cibergovernança e política de internet. Cada um desses termos pode mudar sutilmente o foco ou o escopo da discussão, refletindo a natureza multifacetada da gestão dos espaços digitais.
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O debate sobre esses termos centra-se em grande parte na sua abrangência e especificidade. Por exemplo, há uma discussão considerável sobre se a 'cibersegurança' deve ser vista como um subconjunto da governança da internet ou como uma disciplina separada.
A cibersegurança envolve a proteção de ambientes digitais contra ameaças, o que alguns argumentam ser intrínseco à gestão da infraestrutura e do uso da internet. Outros, no entanto, veem a cibersegurança como um campo especializado que requer seu próprio modelo de governança devido às suas complexidades técnicas e legais.
Também há discordância sobre se a governança da internet deve se limitar a aspectos técnicos como os gerenciados pela Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), como nomes de domínio e endereços IP, ou se deve se estender a questões mais amplas de políticas públicas. Essa visão mais ampla inclui privacidade, liberdade de expressão, direitos de acesso e políticas econômicas digitais.
Geralmente, 'governança da internet' e 'política digital' são usadas como termos abrangentes que englobam uma ampla gama de políticas públicas relacionadas à internet. Elas podem ser divididas em várias categorias:
- Infraestrutura: Isso inclui as políticas em torno da neutralidade da rede, acesso à banda larga e o gerenciamento de protocolos de internet.
- Segurança: Abrangendo cibersegurança, proteção de dados e salvaguarda de recursos digitais.
- Direitos Humanos: Abordando direitos digitais, privacidade e liberdade de expressão online.
- Econômico: Cobrindo comércio eletrônico, tributação digital e propriedade intelectual no âmbito digital.
- Desenvolvimento: Focando na redução da exclusão digital, promoção da alfabetização digital e garantia de acesso universal.
- Jurídico: Explorando jurisdição, a aplicação do direito internacional no ciberespaço e estruturas legais para conteúdo digital.
Usar esses termos de forma ampla nos ajuda a entender a interconexão das questões da internet. A escolha da terminologia pode destacar diferentes facetas dos desafios e oportunidades do mundo digital.
Em essência, seja falando sobre a gestão de espaços digitais ou a formulação de políticas digitais, a linguagem que usamos importa. Ela molda nossa conversa e nossa abordagem para um futuro onde todos os aspectos da vida são tocados pelo digital. Esse diálogo, rico em diversidade e perspectiva, garante que a internet permaneça uma força dinâmica, inclusiva e transformadora em nossa sociedade.
Perguntas Frequentes
A governança da internet é o esforço colaborativo entre várias partes interessadas, como governos, setores privados e sociedades civis, para definir como a internet é estruturada, operada e usada. Envolve o estabelecimento de princípios, normas e políticas para gerenciar a evolução e a funcionalidade da internet.
O IGF, lançado em 2005 pela WSIS, serve como uma plataforma global de diálogo, em vez de um órgão de tomada de decisão. Ele promove discussões sobre questões de governança da internet, garantindo a inclusão ao permitir a participação de todas as partes interessadas, desde nações em desenvolvimento até desenvolvidas, discutindo temas como cibersegurança e inclusão digital.
A governança da internet pode ser vista através de três lentes da economia institucional: mercados (transações privadas), hierarquias (controle e autoridade) e redes (colaboração voluntária). Essas formas se misturam na governança da internet para abordar questões, mantendo a natureza aberta e interoperável da internet.
Os principais atores incluem governos, organizações internacionais, empresas, comunidades técnicas como ICANN e IETF, sociedade civil, academia, think tanks e organizações sem fins lucrativos. Cada um contribui de forma única, desde a formulação de políticas até a definição de padrões, garantindo uma abordagem multifacetada para a governança.
Esses termos frequentemente se sobrepõem, mas podem enfatizar aspectos diferentes. 'Política Digital' e 'Governança da Internet' são amplos, cobrindo uma variedade de questões, desde infraestrutura até direitos humanos. 'Cibergovernança' pode estar especificamente relacionada à cibersegurança, enquanto 'Política de Internet' pode se concentrar mais em aspectos políticos que afetam diretamente as operações da internet. A escolha do termo pode refletir o escopo e o foco da discussão em questão, destacando a complexidade e a interconexão das questões digitais.
Briefing de Sinal
- Sinal: O que é Governança da Internet?
- Região: Ásia-Pacífico
- Classe de Mercado: Tendências de Serviços de Nuvem da América do Norte
Presença Operacional
- ICANN
- IETF
- IGF
- Governos nacionais
- União Internacional de Telecomunicações (UIT)
Contexto de Mercado
- Relevância operacional: Médio
- Horizonte temporal: Próximo trimestre
O que assistir
- DNS
- Protocolo de Internet (IP)
- Protocolos de roteamento (BGP)
- Padrões técnicos (IETF)
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