Resumo

  • MED é um atributo BGP opcional, não transitivo e deliberadamente fraco; o valor menor só atua no conjunto de candidatos e na política do receptor.
  • Ver o valor desejado num UPDATE ou looking glass não prova que os roteadores relevantes escolheram essa entrada, instalaram o caminho ou levaram os fluxos reais até ela.
  • A conclusão exige um recibo conjunto: anúncios, política de importação, candidatos comparáveis, best paths, encaminhamento e medições numa janela definida.

O número cai, o tráfego não se move

Imagine uma janela de manutenção: uma rede reduz o MED em uma de duas interconexões. Um coletor mostra o novo valor. A mudança parece pronta para ser encerrada — o atributo está visível, o número menor parece decisivo e nenhuma rota foi retirada. Ainda assim, os contadores indicam que a maior parte do tráfego continua chegando pelo outro local.

Isso não prova que o BGP ignorou MED. A rede receptora pode ter outro LOCAL_PREF, preferido AS_PATH mais curto, normalizado MED na entrada, comparado apenas rotas do mesmo AS vizinho ou escolhido caminhos diferentes em roteadores distintos. O UPDATE observado prova um atributo exibido por um speaker, não toda a decisão remota nem o movimento de pacotes.

Preferência não é ordem

O RFC 4271 define MULTI_EXIT_DISC como uma métrica opcional, não transitiva e sem sinal de quatro octetos, destinada a distinguir vários pontos de entrada ou saída para o mesmo AS vizinho. Com todos os demais fatores iguais, a menor deveria ser preferida. As condições delimitam o efeito: o atributo pode faltar, não segue para outro AS vizinho e normalmente só é comparado entre rotas aprendidas do mesmo AS. Políticas mais fortes podem eliminar a rota antes.

A decisão pertence ao receptor. O RFC 4271 exige um mecanismo local para remover MED e permite alterar o valor recebido antes da seleção. O par pode aceitar, substituir ou neutralizar a diferença. Quem anuncia expressa preferência; não recebe autoridade sobre a rede alheia.

MED ausente também precisa de regra explícita. A especificação-base atual trata a ausência como o menor valor possível na comparação definida. O RFC 4451 registra divergências históricas, razão para muitos operadores fixarem MED na entrada. Um painel com 50 e 100 continua incompleto sem mostrar candidatos sem MED e o ponto de normalização.

O conjunto de candidatos é o denominador

MED só vale entre rotas que chegam à sua etapa. Um valor menor pode perder antes por LOCAL_PREF, tamanho do caminho ou outra política. Na regra-base, uma rota de outro AS vizinho não participa da mesma comparação. Ativar comparação entre ASes muda essa premissa e pode misturar espaços métricos incompatíveis.

O RFC 4451 alerta para a grande variação operacional. Também mostra como route reflectors e confederações podem expor a falta de uma ordem total e contribuir para oscilação persistente. A evidência adequada não é uma captura isolada; é o conjunto completo de candidatos nos roteadores decisivos, os atributos que sobreviveram às etapas anteriores e a consistência das escolhas.

Do best path aos pacotes

Best path é mais forte que anúncio, mas ainda não é recibo de tráfego. O next hop precisa entrar na FIB. ECMP ou distribuição por fluxo pode dividir carga. A demanda pode variar durante a observação. Retirada, reset de sessão ou evento de topologia pode mover tráfego junto com a edição de MED.

Separe a cadeia: anúncio prova o enviado; importação, o aceito ou reescrito; decisão, a escolha de um roteador; FIB, o instalado; contador ou amostra, onde pacotes circularam num intervalo. Um fato não deve tomar emprestada a autoridade do seguinte.

O RFC 4451 acrescenta limite temporal. MED derivado de IGP pode transformar mudança interna em churn BGP. Um reset pode mudar MEDs anunciados e redistribuir tráfego. Garantia capturada antes do reset ou num único reflector não dura para sempre.

Fontes