Resumo

  • A Libyan International Telecommunication Company (LITC) descreve-se como o gateway internacional da Líbia e afirma administrar a rede internacional do país; ela é listada como subsidiária da Libyan Post, Telecommunications and Information Technology Holding Company (LPTIC), criada em 2008.
  • Em 16 de maio de 2025, quedas superiores a 50% foram medidas em quatro redes líbias, com interrupção total em uma delas; nenhuma fonte pública liga a ordem ou a execução do corte à LITC, e a rede de maior queda é identificada de duas maneiras diferentes por dois monitores independentes.

Posição declarada, exercício não comprovado

A descrição corporativa da LITC, preservada em captura de 29 de abril de 2020 do próprio site da empresa, afirma em árabe que a companhia é afiliada à LPTIC, foi criada em 2008, é considerada o gateway internacional da Líbia, presta serviços de telefonia internacional, dados internacionais e internet, e administra a rede internacional (LITC, captura arquivada). O índice de subsidiárias da LPTIC lista a LITC entre suas empresas e repete o ano de 2008, ao lado de Libya Telecom & Technology (1997), Aljeel Aljadeed, Libya Post, Almadar Aljadid e Libyana (LPTIC).

Um panorama do setor de telecomunicações líbio publicado por uma associação empresarial descreve a LPTIC como proprietária de subsidiárias que incluem a LITC, encarregada das conexões internacionais de telecomunicações do país, e a General Post and Telecommunications Company (GPTC), que opera telefonia fixa e internet; o mercado móvel é atendido por Libyana, Almadar e Libya Telecom and Technology, com a Libyana acima de 50% de participação (British Libyan Business Association).

Esse conjunto estabelece uma posição declarada. Não estabelece um ato. Nenhuma das fontes disponíveis mostra a LITC executando, ordenando ou sendo instruída a executar uma interrupção, e nenhuma delas mede o tráfego que atravessa o gateway internacional que a empresa diz operar. A distinção importa porque concentração de controle e exercício desse controle são fatos diferentes, com provas diferentes.

Silphium: o ativo internacional e suas versões contraditórias

O único ativo internacional claramente atribuído à LITC nas fontes reunidas é o cabo submarino Silphium. A base de dados Submarine Networks o descreve como um sistema sem repetidores de 425 km que liga Darnah, na Líbia, a Chania, na Grécia — o primeiro sistema submarino inteiramente próprio da LITC —, com instalações de desembarque fornecidas pela OTEGLOBE em Chania e acesso europeu a partir dali. O fornecedor listado é a Huawei Marine, hoje HMN Technologies; a capacidade inicial é de 1,2 Tbps em DWDM de 10 Gbps, ampliável para 40 e 100 Gbps; e a entrada em serviço é registrada em janeiro de 2013 (Submarine Networks).

O Libya Herald, citando a própria LITC em julho de 2016, apresenta datas e números diferentes: operação desde junho de 2012, capacidade corrente de 70 Gbps ampliável a 1,2 Tbps, e a descrição do Silphium como o primeiro enlace internacional de telecomunicações da região leste do país (Libya Herald). As duas versões não se reconciliam com o material disponível, e este texto não escolhe uma delas em silêncio: a divergência de data de entrada em serviço e de capacidade fica registrada como divergência.

No mesmo registro está o dado mais duro sobre durabilidade. A LITC informou que o Silphium foi danificado deliberadamente em 29 de outubro de 2013, e o início dos trabalhos de reparo no ponto de desembarque em Derna só foi anunciado em julho de 2016. Não há, nas fontes disponíveis, data de conclusão do reparo nem medição do impacto de tráfego da interrupção. O que existe é um intervalo documentado de cerca de dois anos e meio entre o dano e o começo do conserto de um enlace internacional — hoje o único parâmetro público de durabilidade da camada internacional da Líbia.

16 de maio de 2025: o que foi efetivamente medido

O resumo de interrupções do segundo trimestre de 2025 da Cloudflare relata que, em 16 de maio de 2025, foram observadas interrupções de internet em vários provedores de rede líbios, conforme relatos, em resposta a protestos públicos contra o Governo de Unidade Nacional. A partir das 13:30 UTC (15:30 no horário local), o tráfego caiu mais de 50% em relação à semana anterior na AS329129, chamada pela Cloudflare de Libyan International Company for Technology, na AS328539 Giga Communication, na AS37284 Aljeel Aljadeed for Technology e na AS328733 Awal Telecom, esta última com interrupção total. O tráfego permaneceu baixo até cerca de 00:00 UTC. A Giga Communication registrou uma segunda interrupção em 17 de maio, entre 02:00 e 11:30 UTC. No trimestre, a Cloudflare contabilizou interrupções determinadas por governos na Líbia, no Irã, no Iraque, na Síria e no Panamá, e nenhuma no primeiro trimestre de 2025 (Cloudflare).

No mesmo dia, a NetBlocks afirmou que métricas ao vivo mostravam uma interrupção da conectividade na Líbia, corroborando relatos locais de apagões de telecomunicações, e situou o episódio em meio a conflito em escalada e confrontos mortais com manifestantes que pediam a queda do governo interino (NetBlocks).

O relatório Freedom on the Net 2025, da Freedom House, registra um desligamento localizado em Trípoli em maio de 2025 durante manifestações antigovernamentais que pediam a renúncia do governo sediado na capital. O desligamento durou cerca de 12 horas, a maioria dos provedores teve apenas reduções parciais de banda e pelo menos um relatou interrupção total do serviço. O mesmo relatório atribui à Líbia a nota 3 de 6 no quesito sobre controle técnico ou legal do governo sobre a infraestrutura de internet para restringir conectividade, referente a junho de 2024 a maio de 2025, e registra que, em julho de 2024, o Conselho Presidencial ligado ao Governo de Unidade Nacional emitiu a Decisão nº 14, criando a Agência de Proteção da Moral Pública com amplos poderes para policiar redes sociais (Freedom House, 2025).

A lacuna de atribuição

Três ausências estruturam este caso. A primeira é de identidade: a Cloudflare nomeia a AS329129 como Libyan International Company for Technology, enquanto o monitor GeoCables nomeia o mesmo número de sistema autônomo apenas como Libyan International. Nenhuma das fontes reunidas estabelece a identidade jurídica dessa rede nem sua relação com a LITC. A segunda é de atribuição causal: nenhuma fonte afirma que a interrupção de 16 de maio de 2025 foi implementada no gateway internacional da LITC ou causada por ele; o que existe são medições em redes de acesso líbias.

A terceira é de autoria institucional: nenhuma fonte identifica um órgão, ordem ou instrução oficial que tenha determinado o corte, e a própria Cloudflare usa a fórmula conforme relatos, enquanto a NetBlocks se apoia em relatos locais.

Vale notar o que o monitor que mais se aproxima da camada de infraestrutura efetivamente oferece. O GeoCables lista a participação populacional de cada provedor líbio — Libyana Mobile Phone (AS328286) com 35,46%, General Post (AS21003) com 21,31%, Aljeel Aljadeed (AS37284) com 14,99%, Giga (AS328539) com 14,28% e Libyan International (AS329129) com 4,01% — e enumera os cabos submarinos que alimentam a Líbia: Europe India Gateway, Italy-Libya, LFON, Medusa, Silphium e Tobrok-Emasaed. O próprio serviço declara que seu status é heurístico e não uma declaração oficial de provedor; o log de detecção visível no material recuperado começa em 21 de junho de 2026 e mostra apenas um evento degradado em 28 de julho de 2026. Ou seja: a ferramenta não corrobora nem contradiz a interrupção de maio de 2025 (GeoCables).

O que o histórico anterior ensina sobre reparo

O relatório Freedom on the Net 2024 da Freedom House atribui a Hatif Libya, também subsidiária da LPTIC e igualmente estabelecida em 2008, o controle da rede de backbone de fibra óptica que atende a Líbia, e observa que a centralização do tráfego de internet na LPTIC permite que autoridades restrinjam a internet. O documento registra que, em setembro de 2023, o acesso à internet e ao telefone em Derna foi desligado em meio a protestos pós-enchente, com a LPTIC atribuindo a interrupção a cabos de fibra óptica cortados e afirmando restauração no mesmo dia, enquanto outros relatos dizem que as Forças Armadas Árabes Líbias mantiveram o desligamento por quatro dias; que, em outubro de 2023, o acesso em Benghazi ficou desligado por mais de uma semana durante uma operação militar; que houve interrupções recorrentes em Sirte; e que houve um desligamento de cinco horas em Tobruk em agosto de 2022, em torno de uma visita de Khalifa Haftar, sem explicação oficial. A nota de controle técnico ou legal da infraestrutura aparece novamente em 3 de 6 (Freedom House, 2024).

Do lado da capacidade internacional, o registro público mais recente é uma nota de imprensa da Telecom Italia Sparkle, de 3 de outubro de 2019, que anuncia uma atualização conjunta da Sparkle e da LITC do cabo bilateral Itália–Líbia para tecnologia de 100 Gbps (Sparkle). É um anúncio de operadora, não verificação independente da capacidade efetivamente instalada ou em uso — e essa diferença de status precisa acompanhar a informação.

Conclusão delimitada

A concentração é demonstrável: a LPTIC reúne, segundo as fontes disponíveis, o backbone doméstico atribuído à Hatif Libya e a função de gateway internacional reivindicada pela LITC, com um único cabo submarino próprio documentado. O exercício dessa concentração em maio de 2025 não é demonstrável com o material público reunido. O que se pode afirmar com base em medição é o perfil do evento: quedas superiores a 50% em quatro redes, uma delas com interrupção total, cerca de dez horas e meia de tráfego deprimido, e nenhum dado de camada internacional publicado por quem mediu.

E o que se pode afirmar com base em registro documental é que, a única vez em que dano a um enlace internacional da Líbia foi publicamente reconhecido, a reconciliação levou anos, não horas.