Resumo

  • O índice atual de políticas da AFRINIC relaciona três propostas ratificadas em 25 de setembro de 2026 e ainda pendentes de implementação: duas alteram regras de alocação ou recuperação de IPv4; a terceira exige nomes hierárquicos para novos AS-SETs.
  • Os caminhos anunciados são diferentes. Um fluxo de trabalho de IPv4 tem prazo estimado de seis meses, a mudança no critério de utilização está prevista para até 30 dias, e a regra de AS-SET depende de ajustes em WHOIS e MyAFRINIC após a versão 2. Uma página de detalhes ainda exibe um status antigo.

Análise

A data é a mesma; o trabalho, não. O índice atual de políticas da AFRINIC coloca três textos na coluna “Ratified” e marca todos como “Awaiting Implementation”. Em conjunto, eles alcançam dois sistemas operacionais distintos: as regras para distribuir um estoque escasso de endereços e os controles de banco de dados que moldam como redes descrevem suas políticas de roteamento.

A primeira proposta de IPv4, AFPUB-2026-IPv4-001-DRAFT02, trata dos recursos devolvidos ou recuperados pela AFRINIC. Ela torna irreversível o regime de Soft Landing e prevê que recursos recuperados normalmente passem por uma quarentena de 12 meses antes de voltar ao estoque disponível, embora a AFRINIC possa reduzir esse período. A avaliação da equipe prevê uma ferramenta automatizada de limpeza e monitoramento e estima seis meses para esse fluxo de trabalho. É uma regra sobre como a oferta recuperada retorna ao estoque, não uma prova de que um bloco específico já foi liberado ou retido.

A segunda, AFPUB-2026-IPv4-002-DRAFT02, mantém como referência o limite de 90% de utilização das alocações e designações anteriores. Ela acrescenta uma possibilidade de exceção quando os recursos existentes não conseguem atender, na prática, a uma finalidade técnica essencial, desde que a justificativa esteja documentada e possa ser verificada. Os exemplos incluem redundância, alta disponibilidade, mecanismos de transição para IPv6 e expansão para novos locais. O plano da equipe prevê implementação em até 30 dias após a ratificação.

A terceira, AFPUB-2026-ASN-001-DRAFT02, aborda colisões de nomes nos dados do Internet Routing Registry. Novos AS-SETs deverão adotar nomes hierárquicos iniciados por um ASN. Os conjuntos existentes com nomes não hierárquicos podem continuar e não precisam ser renomeados, mesmo quando editados. Ao contrário das duas mudanças de IPv4, esta exige alterações em WHOIS e MyAFRINIC. O plano da AFRINIC prevê priorizá-la após o MyAFRINIC v2, que na ocasião tinha lançamento previsto para 15 de novembro. Trata-se de uma sequência planejada, não de confirmação de que a regra já está ativa.

Há uma inconsistência nos registros públicos. O índice central atual marca a proposta de AS-SET como ratificada em 25 de setembro, mas sua página de detalhes ainda diz “Consensus (Awaiting Ratification by Board)” e “Under Discussion”. As páginas das duas propostas de IPv4 indicam explicitamente a ratificação pelo Conselho em 25 de setembro. É preciso separar o índice atual dos campos desatualizados da página de detalhes; a divergência não prova que a implementação ocorreu nem que a decisão do Conselho falhou.

O Consolidated Policy Manual separa o consenso em reunião, a última chamada para comentários, a ratificação pelo Conselho e a implementação. O manual diz que a data de implementação deve ocorrer em menos de seis meses após o fim da Last Call, a menos que uma dispensa seja solicitada. A indicação “Awaiting Implementation” importa: a aprovação dá status institucional às regras, mas os operadores ainda precisam saber quando os processos ou programas relevantes realmente mudarão.

Fontes