Resumo

  • Em 28 de setembro, a American Infrastructure Alliance anunciou uma coalizão de empresas e sindicatos que preparará princípios estaduais e locais para as sessões legislativas de 2027. O anúncio não apresenta um padrão já aprovado.
  • “Pagar pelos próprios custos” depende da base escolhida: conta de energia, nova geração, expansão da rede, infraestrutura de água e compromissos comunitários podem fazer parte do cálculo.
  • A promessa só terá efeito econômico quando regras públicas definirem obrigações mensuráveis, verificação e consequências. A participação na coalizão não substitui a autoridade de legisladores e órgãos de licenciamento.

“Pagar pelos próprios custos” soa como uma regra completa até chegar a hora de calcular a fatura. Ela cobre a eletricidade medida no data center, uma nova usina, linhas e subestações para conectá-lo ou capacidade reservada para uma demanda futura? Inclui água e benefícios locais? Sem uma base explícita, concessionária, desenvolvedor e morador podem discordar sobre quem deve financiar o crescimento.

Essa questão está no centro do anúncio de lançamento da American Infrastructure Alliance (AIA), em 28 de setembro. O grupo descreve uma coalizão nacional de empresas e sindicatos que pretende desenvolver diretrizes “exequíveis” em nível estadual e local, com trabalho antes e durante as sessões legislativas de 2027. A lista inicial inclui cinco sindicatos nacionais, organizações de construção de Ohio e empresas como QTS, OpenAI, SoftBank, Blackstone, CoreWeave e Digital Realty. O comunicado fala em coordenação com comunidades locais e autoridades eleitas, mas a lista publicada de membros fundadores não nomeia governos locais nem organizações comunitárias. Isso descreve apenas a lista divulgada, sem antecipar quem poderá aderir. (Anúncio de lançamento da AIA)

O material disponível ainda não contém o texto das regras. A AIA propõe princípios para recursos locais, custos de energia e infraestrutura, empregos, benefícios visíveis às comunidades e responsabilização dos operadores. Tag Greason, co-CEO da QTS, disse que os princípios seriam divulgados nas semanas seguintes como ponto de partida para formuladores de políticas e partes locais. O grupo também rejeita um modelo único para todos. São posições e um plano de trabalho, não condições de licença vigentes nem legislação estadual.

A coalizão pode sugerir um padrão; apenas uma autoridade pública competente pode torná-lo obrigatório conforme a lei aplicável.

Cada princípio precisará de uma métrica verificável. “Proteger a água” pode significar retirada, consumo, restrições em períodos de seca, fonte de abastecimento ou custo de tratamento. Um sistema de resfriamento em circuito fechado pode reduzir o uso contínuo de água para resfriamento, mas não mede sozinho toda a pegada hídrica do ciclo de vida. A QTS afirma que seus data centers construídos desde 2018 utilizam circuito fechado e que a empresa financia 100% das necessidades de energia de seus centros. São compromissos divulgados pela própria companhia; as páginas consultadas não apresentam auditoria independente nem um método comum para todos os operadores. (Compromissos comunitários da QTS; artigo dos co-CEOs da QTS)

A conta de energia traz a mesma dificuldade. Um projeto pode pagar a tarifa e ainda se beneficiar de uma expansão da rede cujo custo é compartilhado em um processo tarifário. A capacidade adicional também pode atender outros clientes no futuro. Uma regra consistente deve explicar como os custos incrementais são atribuídos, quando o desenvolvedor deve pagá-los, como tratar capacidade reservada e não usada e como evitar que famílias paguem duas vezes. Dizer “o operador paga” não basta se o cenário contrafactual — quanto a rede custaria sem o projeto — não estiver definido.

Pesquisas de opinião ajudam a explicar por que uma coalizão se forma, mas não validam o conteúdo de uma política. A AIA cita sua própria pesquisa no anúncio sem publicar ali amostra, perguntas ou resultados. Separadamente, o AI Policy Institute divulgou uma pesquisa de junho com 1.007 eleitores prováveis: a aceitação de um data center hipotético aumentava quando salvaguardas específicas de IA eram incluídas. É outro levantamento, com outro pacote de condições. Ele não confirma os números da AIA nem demonstra apoio a uma tarifa, limite de água ou sistema de fiscalização específico. (Pesquisa e metodologia da AIPI)

Regras comuns podem ter valor econômico: desenvolvedores conseguem prever melhor os custos de energia, água, mão de obra e benefícios locais, enquanto comunidades evitam renegociar os fundamentos em cada projeto. Mas consistência não exige regras idênticas. Congestionamento da rede, escassez hídrica, tarifas, impostos e prioridades locais mudam de lugar para lugar. A abordagem local anunciada pela AIA parece mais realista do que uma lista nacional uniforme, desde que a adaptação não vire uma brecha para evitar transparência e prestação de contas.

Os integrantes da coalizão têm interesses que se sobrepõem, mas não são idênticos. Desenvolvedores buscam previsibilidade e recuperação dos custos; sindicatos, emprego duradouro e formação; comunidades, uma distribuição aceitável de encargos e benefícios; autoridades eleitas respondem pelas regras e licenças. Reunir esses grupos pode expor melhor os conflitos, mas não transfere poder público à coalizão. A Nota 73 de Heng Lu oferece uma distinção editorial útil: a participação de quem é afetado pode trazer evidências e conhecimento, mas não cria automaticamente autoridade para vincular terceiros ausentes. A nota é apenas uma lente, não evidência sobre a política dos EUA. (Nota 73 de Heng Lu)

O teste para a AIA não é se seus princípios soam responsáveis. É se o texto futuro define a base de custos, publica dados por projeto, indica uma forma verificável de medição, identifica a autoridade pública responsável e prevê remédios quando compromissos falham. Até lá, a aliança criou uma plataforma de formulação de políticas, não uma nova regra obrigatória do mercado. Expectativas claras podem facilitar investimentos; seu valor dependerá de refletirem os custos que as comunidades realmente enfrentam.

Fontes