Resumo

  • A nova arquitetura de média tensão da Schneider Electric substitui parte dos dispositivos e da fiação específicos de cada projeto por equipamentos padronizados e funções configuráveis por software.
  • A empresa fala em pedidos e fabricação até três vezes mais rápidos e comissionamento até duas vezes mais rápido, mas diz que os números são estimativas próprias, sem compromisso contratual; não publicou resultados medidos do piloto com a Equinix.

A mudança relevante no anúncio da Schneider Electric, em 28 de setembro, não é apenas usar menos fios. É deslocar onde certas funções elétricas são definidas e mantidas. Segundo a companhia, o modelo deixa a engenharia sob medida para cada projeto e passa a configurar equipamentos padronizados, com funções de proteção, medição, monitoramento e controle entregues principalmente por software.

A página do produto descreve uma unidade de fusão padronizada em cada painel, ligada por Ethernet redundante a uma unidade central que pode operar, manter e atualizar até vinte painéis. Em uma comparação de vinte painéis, a Schneider afirma que a configuração definida por software usa 87% menos fiação de controle, 91% menos terminais e 85% menos cobre nessa fiação. São números de projeto divulgados pelo fornecedor, não resultados operacionais medidos de forma independente.

As estimativas de prazo são mais relevantes para a compra. A Schneider diz que pedidos e fabricação podem ser até três vezes mais rápidos e o comissionamento e os testes de aceitação no local até duas vezes mais rápidos. A própria página do produto informa que os números vêm de estudos e estimativas da companhia, servem apenas como referência e não são compromissos contratuais. O múltiplo não esclarece o que inicia e encerra a medição, qual é a comparação nem o que o cliente pode exigir se o cronograma não for cumprido.

A empresa diz que a arquitetura está em piloto numa instalação de colocation em operação da Equinix. Isso confirma um teste em campo, mas não revela a economia de tempo medida, o resultado da aceitação ou a possibilidade de repetir o desempenho em toda uma frota. A Schneider prevê pilotos até 2027 e disponibilidade mais ampla a partir de 2028. Também anuncia mudanças de função pelo ar sem interrupção, mas o material público não detalha condições, aprovações ou como restaurar uma configuração anterior.

O equipamento ainda precisa passar pelas verificações de cada projeto. A IEC 62271-200 delimita o escopo de equipamentos metálicos de manobra em corrente alternada acima de 1 kV e até 52 kV; ela não valida o software do fornecedor nem sua estimativa de prazo. Para o operador, a questão prática é se os testes de fábrica e de campo comprovam as funções, os ajustes e os registros de entrega antes da energização.

O valor comercial depende, portanto, de mais do que encurtar o projeto. O contrato precisa definir a base de comparação, o início e o fim de cada medição, os critérios de aceitação, o tratamento de retrabalho e quem responde se uma configuração for recusada. Também deve dizer quem aprova mudanças de software, quais versões terão suporte e como restaurar uma configuração testada. Comprar mais rápido só ajuda se o equipamento puder ser aceito, operado e atualizado sob condições verificáveis.

Fontes