Resumo
- O LFA básico do RFC 5286 só existe quando um vizinho satisfaz uma condição estrita para o destino e a falha considerados. Topologias diferentes produzem cobertura diferente sob a mesma configuração.
- Um inventário confiável liga cada resultado às métricas, à época da topologia, à origem do prefixo, ao tipo de proteção e ao estado instalado. “Ativado” é o começo da cadeia, não o seu desfecho.
O anel não lê a licença
Considere um roteador S num anel simples. Seu próximo salto primário para D desaparece. O único vizinho físico restante pode alcançar D, mas o caminho mais curto desse vizinho talvez volte por S quando visto na topologia anterior à falha. Mandar o pacote imediatamente para ele criaria a possibilidade de laço.
É por isso que o RFC 5286 testa o candidato N assim:
Distance_opt(N,D) < Distance_opt(N,S) + Distance_opt(S,D)
O lado esquerdo precisa ser estritamente menor. Se os valores forem 20 e 7 + 13, a igualdade não basta. O candidato não recebe a autorização de LFA. Uma tela pode mostrar a função habilitada e, ao mesmo tempo, nenhuma alternativa para D. Ambas as informações são verdadeiras.
Se uma alteração de métrica reduzir Distance_opt(N,D) para 19, a decisão muda. O nome do vizinho permanece, mas a prova pertence a outra versão do grafo. Uma etiqueta persistente “vizinho de backup” é enganosa se não carregar destino, operandos, instante e hipótese de falha.
O remote LFA do RFC 7490 foi criado justamente para ampliar cobertura quando um vizinho físico não atende, situação comum em anéis. Isso não transforma automaticamente todo anel em protegido: o método remoto tem túneis, alvos e pré-condições próprios. Primeiro é preciso registrar honestamente o resultado do LFA comum.
A unidade de cobertura é uma decisão
O RFC 5286 usa próximos saltos precalculados para reduzir perda enquanto o IGP converge. Detectada a falha primária, o roteador pode usar o reparo local até instalar um novo SPF. O cálculo do alternativo não altera a rota primária normal.
A computação ocorre por destino. O mesmo vizinho pode servir para uma rede e falhar para outra. Em prefixos multihomed, os vários originadores e os custos anunciados entram na análise. O RFC 8518 atualiza a seção correspondente do RFC 5286 e detalha critérios para prefixos externos OSPF. Uma matriz genérica entre roteadores não captura necessariamente a decisão do prefixo.
Por isso um percentual precisa declarar seu denominador. Prefixos, links, nós, próximos saltos, classes de destino e volume de tráfego respondem perguntas diferentes. Também é necessário declarar o modelo de falha e a classe de proteção. Um LFA que protege o link pode atravessar o nó primário; evitar um SRLG local pode não evitar outro risco correlacionado.
O RFC 6571 mostra a dependência da aplicabilidade em relação à topologia. O RFC 7916 acrescenta gestão operacional, simulação, granularidade de ativação, política e monitoramento de cobertura. A mensagem comum é prática: a configuração é uma entrada; cobertura é um resultado que precisa ser recalculado.
Três filtros antes de chamar alguém de alternativo
O primeiro filtro é a condição básica sem laço. O segundo pode ser a condição downstream:
Distance_opt(N,D) < Distance_opt(S,D)
Ela exige que N esteja mais perto de D que S. Isso ajuda a evitar certos microloops quando a falha real excede a planejada, mas descarta candidatos e reduz cobertura. Em alguns casos, perder o pacote é deliberadamente menos perigoso que colocá-lo num laço.
O terceiro filtro pergunta o que está sendo protegido. Para proteção de nó, o caminho do candidato deve evitar o vizinho primário E. Se N tiver caminhos de custo igual e um deles passar por E, S não controla essa escolha; não há base para a classificação otimista.
Em redes broadcast ou NBMA, o pseudonó do IGP também precisa ser evitado para afirmar proteção do link. Um candidato que evita E pode continuar dependendo do mesmo segmento. SRLGs locais adicionam portas, placas ou enlaces correlacionados. O resultado deveria dizer “link”, “nó”, “SRLG parcial” ou “nenhum”, e não apenas LFA.
O tamanho da falha faz parte da prova. Um alternativo precalculado para um link não ganha validade automática para a perda do nó ou duas falhas simultâneas. O RFC 5286 discute microloops quando a ocorrência é mais extensa que o conjunto evitado. Uma ativação fora desse escopo não contradiz a matemática; ultrapassa suas premissas.
Da configuração à observação
Uma cadeia de evidência separa os estados:
configurado -> elegível -> selecionado -> instalado -> ativado -> encaminhando -> convergido
Configurado significa que a política permite computar. Elegível conserva as distâncias e a versão topológica. Selecionado registra a política entre candidatos. Instalado exige leitura da FIB ou do hardware. Ativado liga um evento de detecção à mudança. Encaminhando precisa de contadores ou rastreamento. Convergido confirma a saída do reparo temporário.
BFD pode provar que o roteador detectou uma falha num instante. Não prova que havia candidato, que ele venceu a política ou que chegou ao hardware. Da mesma forma, a saída do cálculo não prova que havia recursos para programar a FIB.
O registro mínimo inclui roteador calculador, área ou nível, hash da LSDB, horário, destino, tipo de rota, originadores, próximo salto primário, recurso protegido, candidato, os três operandos, resultados downstream/nó/pseudonó/SRLG, rejeições, granularidade de cálculo, seleção e geração instalada.
Essa granularidade importa. Um resumo por próximo salto pode esconder um prefixo excepcional. Um cálculo por prefixo é mais custoso, mas mostra a população efetivamente protegida. A escolha deve ser visível no relatório, não enterrada como detalhe de implementação.
Limites honestos
Nenhum desses RFCs prova que um operador nomeado utiliza LFA, que um produto o implementa corretamente ou que uma rede real atinge determinado tempo ou percentual. Uma desigualdade reprovada pode ser o resultado correto. Uma desigualdade aprovada não prova seleção, instalação, ativação ou entrega.
TI-LFA, Segment Routing e RSVP-TE FRR são contextos posteriores ou alternativos, não reparos invisíveis que podem ser presumidos. Este artigo também não repete a tese já publicada de que reparo TI-LFA não equivale a restauração do serviço. Seu objeto é mais específico: como demonstrar, antes do incidente, que existe ou não um vizinho ordinário autorizado para aquele destino.
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