Resumo
- A revisão 02 transforma o objeto único numa lista de resultados e exige que cada item identifique o método e o emissor por URI.
- A URI atribui a avaliação, mas não prova autoria, retransmissão sem alteração nem qualidade do método.
- Decisões automatizadas precisam manter juntos sujeito, método, emissor, publicador, data, estado e evidência; a nota isolada não basta.
Uma pontuação vira autoridade com muita facilidade. Basta aparecer ao lado do nome de um domínio, cercada pela aparência técnica de uma resposta RDAP. A revisão 02 do projeto draft-bertoldi-regext-rdap-reliability-scoring, enviada em 6 de setembro, é relevante porque tenta impedir esse salto antes da primeira implementação conhecida.
O identificador passa de reliabilityScoring para reliabilityAssessment. O objeto único vira a lista reliabilityAssessment_results, adequada a vários emissores e métodos. scoreScheme e scoreIssuer tornam-se obrigatórios; entram a validade, o identificador da avaliação e os estados ativo, em revisão e retirado.
Dizer de quem é não comprova quem assinou
A nova seção de segurança separa identidade, confiança e autenticidade. Identidade é a atribuição escrita. Confiança é a razão pela qual o consumidor aceita o avaliador. Autenticidade é a prova de que a afirmação realmente partiu dele e chegou intacta.
scoreIssuer entrega uma URI global e estável para a primeira função. Não é uma assinatura sobre o conteúdo. A confiança continua fora do protocolo, e uma afirmação assinada foi adiada para trabalho futuro.
Nem o HTTPS resolve sozinho. O RFC 7481 permite autenticar o servidor e proteger a resposta no caminho. Isso mostra qual endpoint entregou aqueles bytes, mas não confirma que um avaliador terceiro citado no JSON seja o autor. Integridade de transporte e correção factual sempre foram camadas diferentes no RDAP.
Três modelos que não devem receber o mesmo peso
O projeto prevê um serviço de avaliação operado pelo próprio avaliador, a republicação por registro, registrador ou outro servidor e a autoavaliação. A estrutura pode ser idêntica; a relação de controle não é.
No serviço direto, o consumidor pode configurar conjuntamente endpoint e emissor. Na republicação, precisa confiar no avaliador e no intermediário, e a resposta não demonstra de forma independente quem fez o quê. Na autoavaliação, a autoria pode ser certa, mas o interesse de apresentar um bom resultado é evidente.
Por isso, o texto não usa o bootstrap do RFC 9224, que encontra servidores com autoridade sobre dados de registro. Também evita um link genérico do servidor autoritativo para o avaliador, pois o apontamento poderia parecer endosso. Descoberta técnica não é confiança delegada.
A unidade operacional não é o número
A ordem dos itens não indica prioridade, autoridade nem atualidade. Uma nota sete só faz sentido dentro do scoreScheme. validUntil encerra a garantia de atualidade do emissor, sem apagar o registro histórico. Estado ausente não significa ativo. Um resultado retirado pode continuar publicado para informar clientes com cache. A ausência de toda a extensão não representa aprovação, reprovação nem falta de avaliação.
O objeto útil reúne sujeito vinculado, método, emissor, endpoint publicador, identificador, data, validade, estado e cópia da evidência. Um painel que guarda apenas scoreValue destrói a parte mais importante do contrato.
Há ainda uma lacuna de identidade do sujeito. Para domínios, ldhName funciona com a consulta já existente. Para registradores, o serviço usa um handle local e só devolve o IANA Registrar ID em publicIds depois da busca. Quem possui apenas esse ID não consegue formar a consulta em banda. O RFC 8521 é citado como possibilidade, e não como solução; registradores de ccTLDs continuam sem regra fechada.
A forma comum não recebe poder de julgamento
Todo método que pretenda publicar resultados no RDAP deverá explicar o risco da divulgação, notificar a parte avaliada, abrir um período de correção ou contestação, minimizar os dados e justificar especificamente uma avaliação no nível de domínio. Uma nota ruim pode ajudar defensores e, ao mesmo tempo, funcionar como mapa de alvos.
O protocolo não escolhe o prazo, o árbitro, a governança nem a consequência de uma contestação. Essa contenção é correta. A camada comum transporta o estado da afirmação; ela não ganha mandato para decidir a sanção.
A revisão reconhece ainda que o resultado é informativo, não uma certificação; que uma nota alta não garante ausência de falhas; e que evidenceUri pode mudar, exigir acesso ou desaparecer. O campo é útil quando permanece evidência de uma afirmação, não quando vira sentença automática.
Fontes
- Registro no IETF Datatracker
- Projeto RDAP, revisão 02
- Projeto RDAP, revisão 01
- RFC 7480
- RFC 7481
- RFC 8521
- RFC 9082
- RFC 9083
- RFC 9224
- Minimum Initial Specification, Localized Future Decision, and Voluntary Adoption
- On Reality Layers, Symbolic Power, and Why Clarity Feels So Hostile
- Running-Code Primacy
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