Resumo

  • A revisão 09 do draft-ietf-sidrops-rtr-yang, datada de 7 de setembro de 2026, acrescenta um intervalo de atualização separado, contadores de Serial Query e Reset Query, contadores de Router Key e ASPA e cinco categorias mais novas de Error Report.
  • Os campos tornam mais observável a fronteira entre roteador e cache. Não provam quem causou uma falha, se os dados alteraram a política de rotas nem por quanto tempo o tráfego foi afetado.
  • As folhas propostas são estado operacional somente para leitura. O RFC 8342 descreve estado do sistema e estatísticas coletadas como transitórios; consultar o dispositivo depois não substitui um histórico preservado.
  • A minuta cita duas implementações, mas ambas apontam para draft-03 e foram atualizadas em 30 de março de 2026. O texto não demonstra suporte aos novos campos da revisão 09.
  • Daniel Kade propõe um recibo de estado do cache ligado à revisão, com horário da coleta, época de reinício do contador, sessão e serial, temporizadores, deltas de erro e ação do operador. É proposta editorial, não exigência da minuta.

Uma desconexão pode carregar instruções opostas

Um painel externo consegue reduzir toda sessão interrompida entre roteador e cache ao mesmo sinal vermelho. A proposta de Versão 2 do RPKI-to-Router separa falha de transporte, reinício do cache e desligamento.

O cache sinaliza reinício quando pretende ficar indisponível, mas espera voltar antes que os clientes alcancem o limite de expiração. O desligamento pede aos roteadores que eliminem os dados aprendidos daquele cache. Uma paralisação prolongada do transporte pode gerar relatório próprio e encerrar a sessão. Os efeitos são diferentes antes mesmo de a rede aplicar sua política local de rotas.

Os tempos completam a diferença. Refresh Interval regula consultas normais; Retry Interval, a nova tentativa após uma consulta falhar; Expire Interval, o período máximo em que dados já recebidos continuam utilizáveis sem uma nova consulta bem-sucedida. Assim, uma sessão desconectada pode coexistir com material RPKI ainda válido por algum tempo. “Cache fora do ar” é informação insuficiente.

A revisão 09 do modelo YANG do SIDROPS transforma uma parte maior dessa fronteira em estado consultável. Esse é o fato novo. Não é evidência de que ocorreu uma falha real.

Intervalo e prazo ganham campos distintos

A comparação 08→09 adiciona refresh-interval, medido em segundos entre Serial Queries periódicas. Ao mesmo tempo, a descrição de refresh-time passa a indicar o instante, em centésimos de segundo, em que ocorrerá a próxima atualização.

A mudança separa regra de estado atual. O intervalo expressa a orientação recebida do cache; o prazo reflete o cálculo do dispositivo depois de uma troca específica. Um número sem data não diz se o roteador seguiu a regra ou recalculou o vencimento após uma interrupção.

A árvore de PDUs recebe contadores explícitos para Serial Query e Reset Query. A primeira pede alterações posteriores a um serial conhecido; a segunda solicita todo o conjunto ativo. Mais Reset Queries podem revelar uma rota de recuperação distinta da consulta incremental comum. Também entram contadores de Router Key e ASPA, as novas classes de carga da proposta de Versão 2.

Na árvore de erros surgem lista de provedores ASPA inválida, falha de transporte, erro de ordenação, reinício e desligamento do cache. Descrições anteriores ficam claramente associadas aos códigos de Error Report. A superfície passa a cobrir os códigos 0 a 13.

O rótulo não decide o resultado. Um erro ASPA não prova que a lista defeituosa chegou à seleção de rotas. Reset Query não explica a causa da recarga. Um aviso de reinício não confirma que o cache retornou antes do limite Expire.

Todo contador precisa de um começo

A minuta define os valores de erro como relatórios “trocados” com o cache, sem separar enviados de recebidos. Mesmo uma medição perfeita não atribui responsabilidade sozinha.

O valor também não leva sua origem temporal. Quatro eventos podem significar quatro desde a inicialização do roteador, desde o reinício de um processo, desde a troca de uma placa ou desde que o coletor começou a observar. O tipo YANG começa em zero, mas não cria um diário imutável.

Os padrões de base sustentam essa fronteira. O RFC 7950 usa config false para dados de estado. O RFC 8342 define estado do sistema — inclusive status de leitura e estatísticas — como transitório e alterado por componentes internos ou outros sistemas. O estado operacional mostra o que o equipamento usa agora; não guarda automaticamente o passado.

Cada leitura precisa da versão do módulo, horário, resultado da coleta, época de reinício, identidade limitada do cache e da sessão, versão do protocolo, Session ID, serial, último End of Data e estado de Refresh, Retry e Expire. Sem isso, duas capturas podem não ser comparáveis.

Código em execução também tem versão

A seção de implementação traz evidência útil e sua própria limitação. Ela cita Juniper Networks (HPE) e New H3C Technologies. As duas entradas dizem Draft-03, têm última atualização em 30 de março de 2026 e não registram experiência específica.

Isso permite dizer que houve implementações declaradas de uma versão anterior. Não permite afirmar que as folhas da revisão 09 estão disponíveis, interoperáveis, ativas por padrão ou em produção. Retirar a versão de uma alegação sobre suporte elimina justamente o dado que a torna verificável.

O status institucional também precisa de versão. O Datatracker mostra um Internet-Draft ativo do grupo SIDROPS, pretendido para Standards Track. O estado IESG é I-D Exists; não há document shepherd e o consensus boilerplate aparece como desconhecido. A custódia do WG importa, mas o documento ainda não é RFC nem padrão aprovado.

Fontes