Resumo

  • O RACK usa tempos de envio, ACK/SACK, RTT e janela de reordenação para marcar perda; não observa descarte físico.
  • Um DSACK posterior pode sugerir retransmissão espúria, sem identificar a causa na rede.
  • A operação deve preservar os dados da inferência e cada cópia transmitida, em vez de transformar recuperação em fato do incidente.

Recuperar antes de conhecer a história completa

O RACK responde se entregas posteriores e tempo decorrido já justificam retransmitir uma faixa anterior sem confirmação. O emissor não pode esperar certeza indefinidamente; precisa limitar a ambiguidade.

A RFC 8985 exige que um segmento enviado depois tenha sido entregue e que o anterior continue ausente após o RTT estimado mais a janela de reordenação. Esse critério é mais robusto do que um temporizador isolado, mas continua sendo uma inferência do emissor naquele instante.

ECMP, recuperação de enlace sem fio e outros mecanismos alteram a ordem. A cópia original pode estar em trânsito quando sua faixa é marcada como perdida. A marca manda reparar a faixa; não afirma que alguém viu o pacote ser destruído.

O relógio do RACK integra a decisão

O RACK guarda o tempo de transmissão mais recente de cada segmento, inclusive retransmissões. A referência é o segmento enviado mais tarde entre os já entregues, junto do RTT recente e da janela de reordenação.

A janela se adapta dentro de limites. Um valor inicial pequeno permite recuperar fluxos curtos rapidamente, mas aceita algum risco de retransmissão espúria. Evidências de reordenação podem ampliar esse intervalo de espera.

Com poucos ACKs, o TLP envia dados novos ou retransmite o segmento de maior sequência para provocar retorno antes do RTO. Esse ACK alimenta a inferência; a sonda não observa diretamente um descarte.

DSACK corrige o relato retrospectivo

A RFC 2883 permite informar segmento ou faixa duplicada. Após uma retransmissão, o DSACK comprova apenas que dados duplicados chegaram. Com o histórico do emissor, pode sugerir que a retransmissão foi desnecessária, mas não determina qual cópia chegou, quando ou por quê.

A RFC 8985 recomenda então ampliar a janela. DSACK não aponta fila, rádio, enlace, túnel ou membro ECMP responsável: prova recepção duplicada, não a causa completa.

Fontes