Resumo
- A ARIN-2026-2 substituiria os atuais critérios de alocação subsequente a LIRs por um limite de 75% medido nas unidades de prefixo do plano de dois anos.
- A proposta pede os tamanhos típicos de prefixo, mas não explica como /48, /56 e /64 entram nessa conta.
Análise
O número 75 continua. O que ele mede é que muda.
Hoje, o NRPM permite que um LIR se qualifique para uma alocação IPv6 subsequente por três caminhos: utilizar pelo menos 75% do espaço total; ultrapassar 90% em qualquer site atendido; ou destinar mais de 90% do espaço a sites atendidos, com cada bloco justificado pelas regras de alocação inicial. A proposta ARIN-2026-2 substituiria esse conjunto por uma avaliação baseada no plano de rede. A página oficial ainda mostra o status “Under Discussion”.
O plano deverá informar tamanhos típicos de atribuição — /48, /56 e /64 aparecem como exemplos —, descrever a hierarquia da rede e projetar a utilização em cerca de um, dois e cinco anos. Para pedir mais espaço, o LIR terá de demonstrar que atribuiu ou realocou pelo menos 75% das “unidades de prefixo” definidas no plano atual de dois anos. Também terá de documentar a implantação conforme a hierarquia enviada, ou justificar tecnicamente uma mudança de arquitetura, e apresentar um plano revisado para um novo horizonte de cinco anos. Sempre que possível, a ARIN pretende estender a alocação existente de forma contígua.
A mudança está na régua. O teste atual de 75% olha para o espaço total; o da proposta olha para uma previsão que o próprio solicitante fez dois anos antes. Um plano pode representar melhor a forma da rede do que uma porcentagem global. Ele também vira histórico de execução: o que foi previsto, o que foi implantado e quanto da capacidade planejada já foi usado.
A conta, porém, tem uma casa em branco. A proposta pergunta pelos tamanhos típicos e depois fala em “unidades de prefixo”, sem explicar como prefixos de tamanhos diferentes entram no cálculo. Um /48 comporta 256 /56; um /56 comporta 256 /64. Cada atribuição vale uma unidade, qualquer que seja o tamanho, ou a capacidade de endereços será normalizada? O texto não diz. Dois operadores com o mesmo número de clientes poderiam atingir os 75% em momentos distintos conforme a convenção de contagem.
A questão não é se planejamento de rede faz sentido. O próprio guia IPv6 da ARIN destaca hierarquia, agregação e projeções de crescimento. A questão é mais simples: um limite só compara solicitantes quando todos contam a mesma coisa. “75% do plano” parece preciso até que um plano conte clientes e outro conte prefixos de tamanhos diferentes.
A proposta ainda exige prova de que a hierarquia anterior foi implementada, ou uma justificativa técnica para alterações. A análise passa a olhar tanto o uso quanto a fidelidade da implantação ao desenho apresentado. O novo plano de cinco anos deve mostrar o que vem depois do medidor de dois anos. O plano passa a justificar a primeira alocação e a instruir a seguinte.
A ARIN discutiu a proposta na sessão pública de políticas de 22 de outubro; o status oficial segue “Under Discussion”. A próxima versão pode manter o modelo de planejamento e completar a unidade de medida. Sem isso, o novo 75% parece mais limpo, mas deixa cada solicitante inventar a conta.
Fontes
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