Resumo

  • A revisão 00 do at URI diz que DIDs com vários dois-pontos literais dentro da authority de at:// não obedecem à gramática genérica da RFC 3986. Por isso, esta versão não se qualifica para registro permanente sob a RFC 7595.
  • A IANA mantém at como Provisional desde 2023. A linha prova a situação registral do nome, não revisão formal do IETF, compatibilidade universal de parsers nem vínculo durável entre handle, DID, repositório, registro e conteúdo.

O primeiro draft IETF dedicado ao at:// não anuncia que o identificador começou a existir. Ele documenta algo mais útil: um identificador em uso pode ter uma pendência estrutural que o próprio ecossistema ainda precisa resolver.

draft-newbold-atp-aturi-00 é de 1º de outubro de 2026. O cabeçalho manifesta intenção Standards Track, mas o registro congelado do Datatracker o mantém como submissão individual, sem stream, estado ou nível de padrão. É trabalho em andamento, não RFC, adoção de WG ou decisão de registro permanente.

A sintaxe referencia contas e registros do Authenticated Transfer Protocol. Depois de at://, a authority contém um handle legível ou identificador permanente; collection e record key podem completar o caminho. Parsers próprios conseguem resolver essa estrutura e chegar ao dado.

A incompatibilidade surge com DIDs como did:plc:…. Os vários dois-pontos não codificados ocupam uma authority que, na RFC 3986, é formada por userinfo opcional, host e port opcional. A RFC 7595 não permite a um scheme substituir a gramática URI geral. O draft, por isso, afirma que a forma desta versão não pode receber registro permanente.

Isso não é uma rejeição do protocolo. A documentação não relata pedido permanente negado, obrigação de migração ou falha de uso. Um parser especializado pode tratar a authority como texto opaco. A limitação pertence ao encaixe no contrato genérico, não à existência do caminho operacional.

O registro da IANA mostra a camada intermediária. at está Provisional desde 1º de junho de 2023. A RFC 7595 permite esse estado para schemes usados fora de um ambiente privado, por política First Come First Served. O estado Permanent requer Expert Review e as condições da seção 3.

A nota do especialista diz que a entrada provisória não representa análise formal do IETF nem recomendação para uso geral na Internet aberta. Ela registra preocupação com a possível ambiguidade do nome curto at e alternativas sugeridas como atproto ou atp. Isso pode pesar numa solicitação futura. A própria nota ressalva que não é uma posição do IETF ou da IANA.

Um painel correto precisa de quatro campos: uso, registro provisório, intenção declarada no draft e elegibilidade sintática para registro permanente. Um selo único esconderia a diferença entre eles.

O handle exige a mesma cautela. Ele pode mudar de DID ou ser reaproveitado, fazendo uma referência antiga falhar ou apontar para outro repositório. O draft orienta resolver o handle para um identificador permanente antes de armazenamento duradouro.

Mesmo o DID não fixa a localização física nem o conteúdo. A authority representa a identidade da conta; outra resolução encontra o endpoint do repositório. Collection e key apontam para um registro mutável. O AT URI não é endereçado por conteúdo. Quando os bytes exatos importam, a orientação oficial combina URI e CID.

O recibo operacional reúne perfil e revisão da sintaxe, parser e versão, tipo de authority, resolução handle-DID com horário, endpoint, collection/key, revisão recuperada, CID opcional e resultado da aplicação. A primeira etapa não substitui a última.

A documentação cita Python urllib e JavaScript url-parse como exemplos funcionais, e Go net/url e muitas crates Rust como incompatíveis com a forma descrita. Isso é aviso de implementação, não levantamento independente de todas as versões. O operador deve testar sua combinação real.

Running-Code Primacy, de Heng Lu, preserva a verdade do sistema em operação sem permitir que ele fabrique aprovação institucional. Minimum Initial Specification mantém separadas as invariantes mínimas. Reality Layers impede que linha da IANA, parse, fetch e efeito para o usuário virem uma única afirmação.

A decisão madura não escolhe entre padrão e prática. Ela conserva a autoridade própria de protocolo, registro, revisão, execução e política da aplicação, com recibos nas fronteiras.

Fontes