Resumo

  • A ordem temporária de 9 de outubro suspendeu a transferência de cerca de US$ 480 milhões pela participação restante da Cable One na MBI; a ordem de 13 de outubro organizou o processo, sem decidir o mérito.
  • O refinanciamento descrito pela Cable One poderia cobrir cerca de US$ 2,45 bilhões em obrigações e vencimentos próximos, mas o anúncio não equivale a contratos definitivos nem à aquisição concluída.

A aquisição entrou em outro relógio

A Cable One não decidiu em outubro iniciar uma nova expansão. A participação restante na Mega Broadband Investments (MBI) já estava sujeita a uma opção de venda dos investidores da GTCR. Eles exerceram a opção em 2 de janeiro de 2026, e a Cable One assinou no dia seguinte um contrato para comprar os cerca de 55% que ainda não detinha. A fórmula do preço considera um múltiplo do EBITDA ajustado da MBI nos doze meses até 30 de junho de 2025 e a dívida líquida da empresa.

No documento de janeiro, a Cable One estimou o preço entre US$ 475 milhões e US$ 495 milhões e a dívida líquida da MBI entre US$ 845 milhões e US$ 895 milhões no fechamento.

No Form 10-Q de 30 de junho, a companhia atualizou a estimativa de dívida da MBI para cerca de US$ 920 milhões, em empréstimos a prazo com vencimento em novembro de 2027. São estimativas divulgadas em datas diferentes, não um saldo final único. A distinção importa porque comprar o capital não elimina a dívida da MBI; altera onde o negócio fica no grupo e qual plano financeiro sustenta as obrigações combinadas.

O prazo já havia sido negociado muito antes da ação judicial. Uma alteração de dezembro de 2024 adiou o fechamento da opção de venda para, no mínimo, 1º de outubro de 2026, salvo se a Cable One escolhesse antecipá-lo. Também exigiu um pagamento inicial de US$ 250 milhões aos demais investidores da MBI e repassou indiretamente a eles o produto de US$ 100 milhões em nova dívida da MBI; ambos reduzem o preço posterior dólar por dólar. Se o fechamento ocorresse antes de 1º de outubro, haveria desconto anual de 12% pelo período correspondente. Em janeiro, a Cable One esperava concluir em 1º de outubro, sujeito a condições.

Em 2 de outubro, Cable One e GTCR prorrogaram o prazo para 9 de outubro enquanto as conversas de financiamento prosseguiam.

No dia seguinte, a CoBank, credora existente, pediu a um tribunal federal que impedisse a transferência. A Cable One informou que o Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Nova York emitiu, em 9 de outubro, uma ordem temporária que bloqueia a transferência de cerca de US$ 480 milhões pela participação restante. Segundo a empresa, a CoBank alegou que o pagamento constituiria uma transferência fraudulenta nos termos da lei. A Cable One contesta a alegação e afirma que a ordem saiu antes de sua aparição ou audiência. São posições das partes, não uma conclusão judicial de insolvência ou ilegalidade.

O contrato de compra, a opção de venda, a ordem temporária e o refinanciamento são controles distintos. A Cable One afirmou que o contrato não a obriga a fechar enquanto houver uma restrição judicial em vigor. Em 13 de outubro, o tribunal registrou que a Cable One havia apresentado resposta e pedido para dissolver a ordem, e determinou que as partes acertassem um cronograma de manifestações e a data de audiência. Não julgou o mérito. O registro público mostra uma pausa processual, não a rejeição definitiva da aquisição.

O relógio do financiamento é igualmente importante. Em 2 de outubro, a Cable One descreveu conversas avançadas com a GTCR, alguns credores atuais e um consórcio de instituições privadas, mas disse que ainda não havia acordos definitivos. Em 12 de outubro, afirmou que as operações cogitadas deveriam cobrir US$ 2,45 bilhões em obrigações correntes e vencimentos próximos. O plano incluía estender e reduzir a linha rotativa, liquidar a opção da MBI, quitar integralmente o empréstimo B-4 e manter liquidez para investir. A companhia ainda falava em expectativa, proposta e progresso.

O balanço mais recente divulgado oferece escala, não um veredito. Em 30 de junho, a Cable One declarou US$ 166,2 milhões em caixa, US$ 3,06 bilhões em dívida bruta, US$ 550 milhões utilizados e US$ 700 milhões disponíveis na linha rotativa. No segundo trimestre, a receita foi de US$ 348,9 milhões e o EBITDA ajustado, US$ 173,5 milhões, ambos abaixo de um ano antes. O período também incluiu grandes perdas contábeis sem efeito de caixa sobre ativos e a opção da MBI. Elas não são o valor em dinheiro da aquisição nem provam que o refinanciamento falhará.

Mostram por que a sequência de financiamento precisa ser analisada junto com os ativos comprados.

A MBI opera banda larga sob a marca Vyve Broadband. A questão pública não é se uma mudança de propriedade melhora o serviço automaticamente. É se as etapas judiciais, de crédito e de financiamento deixam ao operador uma trajetória financiada para continuar investindo enquanto integra outro balanço. Nenhum documento consultado registra interrupção do serviço causada pelo atraso, e o fechamento não foi confirmado.

O que o registro comprova — e o que continua em aberto

A opção foi exercida, o contrato assinado, a ordem temporária emitida, a Cable One pediu sua dissolução e o tribunal mandou organizar o calendário da audiência. Em paralelo, a empresa informou avanços em um refinanciamento destinado a liquidar a opção e tratar vencimentos próximos. O registro público não estabelece os termos finais do financiamento, o resultado judicial, uma nova data de fechamento, a dívida final da MBI ou o efeito sobre o investimento na rede.

Fontes