Resumo

  • RFC 10035 acrescenta a lista somente de leitura augmented-by à YANG Library, permitindo que um servidor informe quais módulos do mesmo conjunto modificam diretamente outro módulo.
  • A publicação resolve uma lacuna de descoberta, não uma decisão de mudança: não calcula dependências transitivas, não comprova atualidade do inventário, não avalia compatibilidade semântica e não autoriza remoção ou atualização.

Uma cadeia de três módulos esclarece o limite

O exemplo A, B e C do documento é uma regra operacional compacta. A contém a estrutura de base. B usa augment para inserir um novo contêiner nessa estrutura. C acrescenta uma folha ao contêiner que pertence a B. O inventário de A declara B em augmented-by; o de B declara C. C não é listado como modificador direto de A, embora seu caminho termine dentro de uma árvore iniciada em A.

Isso não é uma omissão. A relação direta é determinada pelo módulo dono do pai imediato do nó acrescentado. A ligação entre C e A é derivada pela aplicação. Quem precisa saber tudo o que está a jusante de A deve percorrer as arestas; quem precisa avaliar um caminho deve inspecionar a árvore de esquema.

Essa precisão impede que relações diferentes sejam tratadas como sinônimos. Importar definições, incluir um submódulo, acrescentar nós e aplicar um desvio produzem efeitos distintos. Uma ferramenta de catálogo, teste ou telemetria deve registrar qual relação observou e quais relações calculou.

A publicação completa uma parte da YANG Library

O RFC Editor publicou RFC 10035 como documento Standards Track do IETF em agosto de 2026. O módulo ietf-yang-library-augmentedby usa a revisão de 26 de agosto de 2026. A IANA registrou o nome do módulo, o namespace XML e o prefixo yanglib-aug.

RFC 8525 já permite que um servidor descreva datastores, conjuntos de módulos, revisões, recursos, módulos apenas para importação e desvios. O cliente podia descobrir que outro módulo alterava propriedades por meio de um desvio. Para descobrir o sentido reverso de um augment, porém, precisava obter e analisar os modelos relevantes.

RFC 10035 acrescenta augmented-by sob cada entrada de módulo na árvore NMDA. A lista também aparece na árvore obsoleta modules-state, preservando o uso por clientes que ainda seguem a forma associada a RFC 7895. O resultado é uma consulta mais eficiente para aplicações que não precisam baixar toda a coleção só para localizar quem acrescenta nós.

O ganho é deliberadamente estreito. O servidor publica uma informação que conhece ao montar seu esquema suportado. Ele não passa a conhecer a dependência de negócio de cada consumidor.

O conjunto de módulos define a fronteira da afirmação

O valor de augmented-by é uma referência ao nome de um módulo no mesmo module-set. Tanto o módulo-base quanto o modificador devem estar presentes nesse conjunto. O modificador não pode ser uma entrada apenas para importação, e a referência não pode voltar direta ou indiretamente ao módulo modificado.

Essas condições evitam uma aresta sem extremidade dentro do inventário ou um módulo inativo apresentado como parte efetiva do esquema. Elas não provam que o coletor consultou o conjunto correto. RFC 8525 pode descrever vários datastores e seleções de esquema. Uma ativação de software, troca de equipamento ou integração de módulo pode alterar o conteúdo anunciado.

Por isso, uma coleta útil precisa guardar identidade do equipamento, endpoint autenticado, datastore, conjunto ou esquema selecionado, identidade de conteúdo, revisões e horário. A própria especificação observa que os novos dados aumentam a instância da biblioteca e que o servidor deve atualizá-los quando integra módulos. Uma aresta válida em um cache antigo continua sendo velha.

Inventário não é parecer de compatibilidade

A lista afirma que um módulo acrescenta nós diretamente ao esquema de outro. Ela não diz que determinada aplicação entende esses nós, que pode ignorá-los, que os dados aparecem no datastore relevante ou que uma nova revisão mantém o mesmo significado.

Um catálogo pode usar a aresta para buscar modelos. Um analisador de telemetria pode localizar campos que não estão no arquivo-base. Um sistema de testes pode ampliar sua matriz. Em todos os casos, ainda será necessário examinar revisões, features, desvios, imports e caminhos-alvo, além de mapear consumidores reais.

O risco fica evidente numa remoção. Ver B ao lado de A é um aviso de que B modifica A; não é autorização para descarregar B. C pode depender diretamente de B, configurações podem conter nós introduzidos por B e assinaturas podem consumir esses dados. A decisão exige fechamento transitivo e contexto do workload, não apenas a primeira aresta.

Somente leitura não significa divulgação sem risco

Os novos nós são estado operacional, não configuração gravável. Consultá-los não altera por si só o comportamento do equipamento. Ainda assim, a composição do esquema pode revelar módulos de fornecedor ou domínio, capacidades ativadas e pontos em que um cliente encontrará dados adicionais.

RFC 10035, portanto, remete ao uso de protocolos YANG seguros, autenticação mútua e controles como NACM. A autenticação identifica o endpoint. A autorização determina o que aquele principal pode ver. Nenhuma das duas garante que outra conta, outro datastore ou um momento posterior produzirá a mesma biblioteca.

Uma automação deve preservar esse contexto de visibilidade. Comparar uma coleta privilegiada com outra restrita pode fabricar o desaparecimento de uma aresta. Ausência só é evidência forte quando escopo e direitos de leitura também são conhecidos.

Quatro implementações demonstram viabilidade, não cobertura

O relatório do IESG registra quatro implementações e validação em um hackathon do IETF. Isso sustenta a viabilidade do mecanismo. Não informa qual versão está em cada equipamento nem prova que todos os servidores atualizam a lista de forma atômica durante uma mudança de esquema.

O teste operacional deve começar com módulos conhecidos. Depois de ativar um modificador direto, confirme que base e modificador aparecem no mesmo conjunto, que a base aponta para ele e que a identidade de conteúdo mudou. Em seguida, construa um caso de dois saltos e verifique que cada aresta direta aparece sem achatamento incorreto.

Testes negativos são igualmente necessários. Um módulo apenas para importação não deve aparecer como modificador ativo. Um ciclo precisa falhar na validação ou ser tratado com segurança pelo cliente. Um coletor com dados antigos não pode aprovar mudança. Um usuário sem permissão não deve recuperar a mesma composição por outra rota.

Três autoridades precisam continuar separadas

O servidor tem autoridade para declarar a composição que expõe. A aplicação tem autoridade sobre o grafo que calcula a partir dessa declaração. O proprietário do serviço tem autoridade para aceitar risco e executar a mudança.

RFC 10035 melhora a passagem entre os dois primeiros: consumidores deixam de reconstruir uma aresta básica a partir de todos os arquivos. Mas um mecanismo comum de descoberta não é uma aprovação centralizada. O servidor não conhece cada processo empresarial; o grafo não conhece a janela de manutenção; o registro de padrões não sabe se um equipamento atualizou sua biblioteca.

A cadeia auditável deve ligar endpoint, identidade de conteúdo e seleção de esquema às revisões e arestas diretas; depois, ao fechamento calculado, caminhos e consumidores afetados; por fim, à mudança proposta, aos testes, ao rollback e ao resultado observado. A primeira aresta ganhou uma fonte melhor. A responsabilidade pelo restante não desapareceu.

Fontes