Resumo
- A divulgação adicional da AFRINIC lista US$ 877.929 em custos jurídicos de 2025, distribuídos por cinco beneficiários.
- Trinity Legal aparece com US$ 464.708 e Me Mohammad M Namdarkhan com US$ 353.000. Juntos, somam US$ 817.708, ou 93,1406% do total.
- O montante é US$ 850.607 maior que os US$ 27.322 de 2024 — uma alta para 32,1327 vezes o valor anterior —, mas fica abaixo dos totais de 2022 e 2023.
- O conselho atribui milhões em despesas a ações coordenadas de Cloud Innovation, Larus e campanhas relacionadas. Essa é a versão do conselho; a tabela não distribui causalidade, necessidade ou valor caso a caso.
- O contrato histórico da C&A Law, de US$ 1.000 por hora mais IVA e despesas, mostra por que faturas e horas importam. Ele não revela o preço de nenhum beneficiário de 2025 nem prova ilegalidade.
Uma conta que voltou a crescer durante a transição
Em 2024, a AFRINIC divulgou apenas US$ 27.322 em honorários jurídicos, numa única rubrica em nome de Me Ashok Radhakissoon. Em 2025, a lista passou a cinco nomes e o total chegou a US$ 877.929. A diferença é de US$ 850.607; o novo valor equivale a 32,1327 vezes o anterior.
A mudança coincide com um período em que o Receiver continuava a controlar partes decisivas da organização, duas eleições foram realizadas e o grupo apresentado como conselho começou a atuar depois da votação de setembro. Coincidência temporal não identifica quem autorizou cada compromisso. Ela define o que precisa ser reconstruído.
Mudanças contábeis podem ser bruscas sem que exista fraude. Trabalho feito num ano pode ser faturado ou provisionado no seguinte. Audiências urgentes podem concentrar custos. Um processo pode trocar de escritório. Uma classificação pode mudar. A página não diz se alguma dessas hipóteses explica a alta.
Também seria incorreto descrever 2025 como o maior ano. A própria AFRINIC informa US$ 1.250.528 em custos jurídicos em 2022 e US$ 1.133.630 em 2023. A sequência é alta, alta, muito baixa e novamente alta. O dado novo é a retomada depois do vale de 2024 — não uma escalada contínua.
Dois arquivos podem explicar quase todo o ano
As cinco rubricas de 2025 são: US$ 26.933 para Me Ashok Radhakissoon; US$ 464.708 para Trinity Legal; US$ 31.333 para BLC Chambers; US$ 353.000 para Me Mohammad M Namdarkhan; e US$ 1.955 para A.O.Popoola LP.
Trinity e Namdarkhan respondem por US$ 817.708, ou 93,14%. A primeira rubrica representa 52,93%; a segunda, 40,21%.
Concentração não é sinônimo de sobrepreço. Um escritório líder pode acompanhar assuntos relacionados e preservar conhecimento. Um profissional pode atuar num ponto especializado ou urgente. O problema não é a possibilidade dessas explicações; é a ausência delas no registro público.
Dois arquivos completos deveriam conter quase toda a resposta: carta de contratação, caso, escopo, pessoa que instruiu, fonte da autoridade, profissionais, horas ou outra base de preço, impostos, despesas, fatura, aprovação, situação do pagamento, produto entregue, resultado, conflito e eventual recuperação.
Se o gasto foi necessário, a documentação protege os prestadores contra acusações sem base. Se houve falha de autoridade ou de valor, ela impede que a responsabilidade desapareça dentro de uma conta anual.
Essa é a aplicação prática da análise de agência de Heng Lu. O membro financia; o operador perde a oportunidade de ver o dinheiro aplicado em serviço; quem decide e quem recebe pode não absorver a consequência da estratégia. Quanto maior a dependência do registro, menos aceitável é pedir confiança em títulos.
“Guerra jurídica” é uma hipótese que a AFRINIC pode provar
Na atualização de 12 de março de 2026, o conselho atual afirmou que uma série coordenada de ações jurídicas movida por Cloud Innovation, Larus e campanhas associadas custou milhões. Disse que as disputas impediram auditorias, avaliação de tecnologia e pessoal, contratação de CEO, programas comunitários e possível alívio nas taxas.
A afirmação é concreta e politicamente conveniente. Não deve ser diluída; deve ser auditada. A AFRINIC possui ou deveria possuir os documentos capazes de ligar a conduta atribuída a terceiros ao trabalho jurídico comprado em resposta.
Para cada rubrica material, o conselho pode mostrar qual caso surgiu, qual risco precisava ser enfrentado, quem escolheu a estratégia, sob qual autoridade, quanto o trabalho custou e o que produziu. Pode separar uma ordem judicial de uma decisão discricionária, uma defesa protetiva de uma iniciativa agressiva e uma despesa herdada de uma nova contratação.
Sem esse mapa, a expressão “guerra jurídica” faz todo o trabalho narrativo: o adversário passa a causar a conta inteira, enquanto instruções internas, escolhas de recurso, negociação de preço e aprovação deixam de ser examinadas.
O conselho não precisa aceitar a tese de seus críticos. Precisa demonstrar a sua com documentos que permitam uma conclusão independente.
Direito e eleições chegaram a US$ 1,92 milhão
A AFRINIC separou US$ 1.043.425 para os custos das duas eleições de 2025. Somados aos US$ 877.929 jurídicos, os dois blocos totalizam US$ 1.921.354.
As categorias não podem ser fundidas nas contas ou no texto. A AFRINIC classificou itens eleitorais e jurídicos de forma separada. O total combinado serve apenas para medir a escala visível da crise de governança e de sua tentativa de reparo.
As “outras despesas” de 2025 foram US$ 854.266. O custo jurídico foi US$ 23.663 maior. Isso não estabelece que advogado vale menos que computador, site remoto, seguro, benefício de pessoal ou formação. Estabelece que o custo de oportunidade invocado pelo conselho é grande demais para ficar sem uma ponte entre dinheiro e resultado.
Se US$ 464.708 preservaram um serviço crítico, uma ordem ou uma reivindicação relevante, a relação pode ser demonstrada. Se US$ 353.000 compraram trabalho duradouro, ele pode ser identificado. Se uma decisão interna prolongou conflito evitável, esse efeito também precisa aparecer.
Uma conta que disputa espaço com toda a categoria de outras despesas não pode ser validada pela frase genérica de que litígios custam caro.
O valor de US$ 1.000 por hora não pertence a 2025
O alerta da NRS aos membros antes da AGMM de junho de 2026 citou uma contratação da C&A Law datada de outubro de 2021. Os termos divulgados previam US$ 1.000 por hora, sem incluir IVA de 15% nem gastos como viagens, pesquisa, comunicação, buscas, impressão, entregas e opiniões de especialistas.
O documento dizia que ao menos dois membros da C&A Law ficariam disponíveis e diretamente envolvidos. A NRS observou que as faturas e os registros de tempo não foram publicados e, por isso, não afirmou que duas cobranças simultâneas ou um total de US$ 2.000 por hora já estivessem provados.
O mesmo rigor vale agora. A condição da C&A Law não demonstra a tarifa de Trinity Legal, Namdarkhan, BLC Chambers, Radhakissoon ou A.O.Popoola LP. Nem demonstra quantas horas foram cobradas no contrato antigo ou que US$ 1.000 por hora seja, por si só, ilegal.
O paralelo correto é documental. Em 2021, há uma tarifa pública sem o conjunto de horas necessário para testar o total. Em 2025, há totais públicos sem tarifa, horas e escopo. Misturar os papéis produziria uma acusação frágil. Exigir os documentos faltantes produz uma auditoria difícil de contornar.
Ilegalidade, excesso ou conflito dependem de autoridade, contratação, trabalho, preço, aprovação, resultado e direito aplicável — não de um adjetivo sobre uma cifra isolada.
O conselho pode não ter autorizado tudo, mas hoje controla a resposta
O grupo apresentado como conselho começou a atuar depois da eleição de setembro. A cronologia pública não permite dizer que ele autorizou todas as despesas de 2025. Algumas podem vir do Receiver, da administração, de delegação anterior ou de ordem judicial.
Mas o conselho atual escolheu atribuir publicamente o custo a adversários, dirige as auditorias e decide o que publicar. Sua responsabilidade presente é tornar visível a cadeia herdada antes de pedir que os membros aceitem a conta como prova de recuperação responsável.
A AFRINIC deveria publicar um anexo por caso: decisão inicial, autoridade, prestador, escopo, profissional, tarifa, fatura, imposto, despesa, contratação, aprovador, pagamento, produto, resultado, conflito e recuperação. A aprovação das demonstrações deve reservar direitos e deixar claro que não ratifica, libera ou perdoa automaticamente cada ato contestado.
O revisor precisa ser independente do Receiver, do conselho de legitimidade contestada, dos administradores que processaram as transações e dos beneficiários. Colaboração institucional e agradecimento público não substituem independência.
A tabela prova os cinco nomes, os valores, a concentração de 93,14% e o salto anual. Não prova fraude, cobrança excessiva ou ilegalidade. Também não prova que terceiros causaram e justificaram cada dólar. A próxima etapa não é mais retórica: é o registro transação por transação.
Para mais contexto, leia a BTW Research: o escândalo oculto dos honorários jurídicos da AFRINIC.
Fontes
- AFRINIC — divulgação adicional de 2025
- AFRINIC — honorários jurídicos do exercício de 2024
- AFRINIC — detalhes de outras taxas de 2022 a 2025
- Conselho da AFRINIC — estabilidade e desafios jurídicos
- AFRINIC — comunicado conjunto do conselho e do Receiver
- AFRINIC — estatuto
- AFRINIC — orçamento de 2022
- NRS — ação dos membros sobre aprovações financeiras
- Lu Heng — o problema de agência na governança da Internet
- Lu Heng — quando o poder do registro se separa da responsabilidade
- BTW Research — taxas da AFRINIC e risco de continuidade
- BTW Research — investigação sobre os honorários jurídicos da AFRINIC
- Gazeta do Governo de Maurício — Aviso Geral 1045 de 2025


