• O conglomerado de mídia francês Vivendi anunciou sua intenção de abrir o capital de seu canal pago Canal+ em Londres como parte de uma estratégia de cisão mais ampla.
  • O plano de cisão da Vivendi representa um afastamento radical de sua estratégia anterior de desenvolver um império midiático coeso em toda a Europa.

NOSSO PARECER
Parece que a Vivendi está se despedindo do sonho de se tornar um gigante da mídia europeia ao anunciar sua intenção de abrir o capital da Canal+ na Bolsa de Londres. Anteriormente, o grupo se concentrava em construir uma potência midiática integrada em toda a Europa. Agora, Canal+ e Havas serão cindidas e abertas em capital em Londres e Amsterdã, respectivamente. Embora a família Bollore mantenha um controle significativo, a própria Vivendi pode ficar com uma dívida líquida entre 1,5 e 2 bilhões de euros. No entanto, Canal+ e Havas emergirão praticamente sem dívidas, o que pode abrir caminho para que se destaquem de forma independente. Já vimos cisões bem-sucedidas no passado, então vamos ver como esse 'divórcio' midiático se desenrola.
–Miurio huang, jornalista BTW

O que aconteceu

O conglomerado de mídia francêsVivendianunciou sua intenção de abrir o capital de seu canal pagoCanal+em Londres como parte de uma estratégia de cisão mais ampla. Esta decisão marca uma mudança significativa em relação à sua estratégia de longa data de construir uma potência midiática integrada sediada na Europa, uma visão promovida por seu principal acionista Vincent Bollore. A Vivendi também planeja abrir o capital de sua unidade de publicidadeHavasem Amsterdã, transformando a empresa em uma holding de investimento listada.

A nova estratégia da Vivendi, divulgada na segunda-feira, inclui a distribuição de ações da Canal+ e da Havas aos seus acionistas. Esta reestruturação permitirá que a família Bollore, que atualmente detém influência significativa sobre a Vivendi, mantenha um controle substancial sobre ambas as entidades. Após a cisão, o grupo Bollore deverá deter 30,6% da Canal+ e da Havas, o que se traduzirá em 40% dos direitos de voto na Havas devido à legislação neerlandesa de sociedades que favorece acionistas de longo prazo.

Além disso, a Vivendi criará uma terceira entidade chamada Louis Hachette Group, que gerenciará suas participações de controle no grupo de mídia Lagardere e na Prisma Media, o maior grupo de imprensa de revistas da França. Esta entidade será listada na Euronext Growth em Paris, um mercado destinado a empresas de médio porte.

A Vivendi destacou que Canal+ e Havas sairão da cisão praticamente sem dívidas. No entanto, a própria Vivendi pode manter uma dívida líquida entre 1,5 e 2 bilhões de euros (1,63 a 2,18 bilhões de dólares). A decisão final sobre a cisão é esperada até o final de outubro, com uma possível assembleia geral extraordinária de acionistas prevista para dezembro.

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Por que isso é importante

O plano de cisão da Vivendi representa um afastamento radical de sua estratégia anterior de desenvolver um império midiático coeso em toda a Europa. Esta reestruturação visa liberar mais valor para seus diferentes negócios, facilitando o crescimento por meio de aquisições. Ao listar a Canal+ em Londres e a Havas em Amsterdã, a Vivendi busca aproveitar os mercados financeiros internacionais, o que pode atrair uma base mais ampla de investidores e melhorar a liquidez.

Esta operação também garante que a família Bollore mantenha uma influência substancial sobre essas entidades, preservando assim seus interesses estratégicos. A criação do Louis Hachette Group consolida os ativos de mídia da Vivendi sob uma nova entidade, oferecendo uma abordagem focada para gerenciar seus investimentos na Lagardere e na Prisma Media.

Esta mudança estratégica destaca a capacidade de adaptação da Vivendi diante da dinâmica do mercado e dos interesses dos acionistas. O sucesso do plano depende da aprovação dos acionistas e da recepção do mercado, com as ações da Vivendi já mostrando uma reação positiva, subindo 1,3% após o anúncio.