- A Telefónica Global Solutions anuncia uma plataforma Network as a Service baseada em padrões que promete conectividade global programável e impulsionada por IA para empresas.
- A iniciativa pode transformar as redes empresariais, mas levanta questões sobre complexidade, dependência de fornecedor e ritmo de adoção real.
O que aconteceu: uma nova era para a conectividade empresarial
Telefónica Global Solutions (TGS)revelou sua intenção de evoluir suas ofertas de conectividade com uma visão chamada ‘Dynamic Network-NaaS 2030’, apresentada durante o Gartner IT Symposium/Xpo 2025. A nova orientação visa transformar as redes empresariais tradicionais em uma plataforma Network as a Service (NaaS) totalmente baseada em padrões, inteligente, programável e personalizável entre fronteiras e tecnologias.
Na base, essa evolução se apoia na solução Dynamic Network existente da TGS, estendendo-a com funcionalidades de automação, inteligência artificial e orquestração global projetadas para atender às diversas necessidades das empresas. No centro do conceito está uma plataforma que permite que clientes e parceiros provisionem, gerenciem e otimizem a conectividade por meio de interfaces de API e ferramentas de autoatendimento.
A plataforma proposta promete uma experiência de usuário simplificada por meio do portal EYE (Empower Your Experience) da TGS, que apoia os princípios « Network as Code » ao permitir a configuração programável dos serviços de rede. Ela também destaca capacidades self-X que permitem que os usuários implantem, monitore e otimizem os serviços de forma autônoma, sem intervenção manual significativa.
Entre outros recursos, destacam-se o gerenciamento automatizado da última milha, que combina tecnologias como 5G, eSIM, links de satélite em órbita baixa (LEO) e banda larga em um processo de entrega zero contato. O alcance global da plataforma é apoiado pela rede privada internacional da Telefónica e parcerias que cobririam mais de 170 países, com conexões diretas aos principais provedores de nuvem.
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Por que é importante
A transição para uma plataforma NaaS inteligente e programável pode representar um passo significativo na forma como as empresas consomem conectividade. A programabilidade e a automação tornaram-se essenciais para empresas que buscam implantação rápida, integração híbrida na nuvem e operações digitais fluidas. Nesse contexto, a iniciativa da Telefónica está alinhada com as tendências mais amplas do setor, onde a conectividade é menos tratada como um serviço estático e mais como um recurso dinâmico definido por software.
No entanto, várias questões permanecem. Embora a programabilidade baseada em padrões prometa flexibilidade, a adoção real pode ser dificultada pela complexidade de integração e dependências de fornecedores. As organizações frequentemente enfrentam sistemas legados, ambientes regulatórios variados e desafios de interoperabilidade que podem tornar a transição rápida para o NaaS não trivial. Além disso, a eficácia da otimização por IA depende fortemente da qualidade dos dados e da maturidade das práticas de TI da empresa, o que significa que nem todos os clientes se beneficiarão imediatamente das vantagens prometidas.
Outro ponto de debate é se a conectividade programável poderia, involuntariamente, criar formas de dependência técnica de um fornecedor. Embora as APIs e ferramentas de autoatendimento visem dar controle aos clientes, ecossistemas complexos podem, às vezes, prender ainda mais as organizações a plataformas específicas, complicando migrações ou diversificações futuras.

