Resumo

  • 0,006% descreve consultas Whois que devolveram objetos NONAUTH; cerca de 20% descreve requisições NRTM que buscaram atualizações dessa fonte. As proporções não são comparáveis entre usuários ou tráfego.
  • A limpeza está em “Starting”. Antes de remover dados, é preciso publicar o conjunto afetado, a regra, o aviso, a rota de migração e a verificação posterior.

Consulta pontual não é espelhamento

Whois responde a uma pesquisa específica. NRTM entrega mudanças de uma base para que um espelho local continue atualizado. Um objeto pode aparecer poucas vezes numa resposta individual e, ainda assim, ser solicitado por uma via de atualização separada. Não há contradição: são caminhos diferentes observados por métricas diferentes.

Em 17 de julho de 2025, a RIPE NCC disse na lista do Database WG que objetos RIPE-NONAUTH eram devolvidos em cerca de 0,006% dos casos de consulta Whois. Na mesma mensagem, informou que aproximadamente 20% das requisições NRTM consultavam atualizações de NONAUTH. O texto não informa o período de observação, os totais que formam os denominadores nem o número de clientes de espelho distintos. Não se deve dividir ou subtrair as porcentagens, nem transformá-las numa taxa única de utilização.

O primeiro número indica que, nos dados observados, era pouco frequente uma consulta Whois retornar um objeto dessa fonte. Não revela quantas redes distintas dependiam da resposta, se ela era relevante para a operação ou o que essas redes recebiam de uma cópia local. Também não mede quem especifica apenas fontes autoritativas. A RIPE NCC observa que a consulta Whois padrão inclui NONAUTH e alerta que um cliente pode confiar em informação não autoritativa se ignorar o atributo source. A opção “-s RIPE” limita a busca à fonte RIPE.

Os 20% respondem a outra pergunta: que parcela dos pedidos NRTM solicitava atualizações de NONAUTH. A mensagem não informa se eram muitos clientes ou poucos automatismos repetindo pedidos, se cada requisição resultou numa transferência bem-sucedida ou se os dados acabaram usados em produção. Um programa pode gerar muitas solicitações; outro consumidor pode baixar um arquivo diário em vez de acompanhar o fluxo de atualizações. O percentual não representa operadores, clientes finais, tráfego, espelhos ou dependências.

O motivo para limpar existe; a lacuna também

RIPE-NONAUTH foi separado em 2018 para conter determinados objetos não autoritativos de recursos fora da região. A RIPE NCC tem uma razão legítima para examinar uma fonte cuja origem ou validade atual pode ser desconhecida. A atualização operacional apresentada em RIPE 90, em maio de 2025, também relatou menos de cem atualizações por ano e redução gradual do estoque. Esses sinais justificam perguntar se cada objeto ainda tem finalidade; não provam que todos os objetos restantes sejam redundantes.

A discussão de 2025 tratou de regras concretas, como objetos com um ROA válido correspondente ou uma rota de outro RIR. Nas atas de RIPE 91, a equipe contou que enviou pouco mais de 2.000 avisos a mantenedores de objetos potencialmente afetados. Recebeu 33 respostas: 23 pediram que seus objetos não fossem excluídos; com dez mantenedores, a equipe conversou sobre o uso e ajudou a criar alternativas em bases autoritativas. Isso mostra que a transição pode exigir trabalho. Não é uma pesquisa representativa de todos os usuários. Quem responde pode diferir de quem não responde, e o número de respostas não contabiliza cada espelho.

Em RIPE 92, Job Snijders apoiou a remoção de rotas com ROAs válidos correspondentes ou objetos de rota em outras bases de RIR. A AMS-IX disse que seus route servers haviam deixado de usar NONAUTH anos antes, sem reclamações nem impacto operacional. É um relato operacional útil, mas limitado a um operador e ao caminho que adotou. A RIPE NCC pediu que outros operadores ainda dependentes se identificassem; as atas mostram uma discussão, não uma decisão de encerrar a base.

“Starting” não é cronograma de remoção

O plano da RIPE Database para o quarto trimestre de 2026, atualizado em 17 de setembro, diz que a organização pretende propor novas limpezas após as discussões na lista e em RIPE 92. O status é “Starting”. O plano não apresenta a lista final de objetos, os critérios de correspondência, prazo, carência, exceções nem mudança no serviço NRTM. Reduzir registros não equivale a fechar a base; nenhuma das duas ações é relatada como concluída.

Cada regra proposta deveria vir com uma fotografia datada da base, tipos de objeto, definição de correspondência e contagem afetada. Consultas Whois e pedidos de atualização NRTM precisam de períodos e denominadores próprios. Se os dados permitirem, a RIPE NCC poderia publicar uma contagem agregada e protegida de clientes distintos; não deve inferi-la do número de requisições. Avisos enviados, respostas, migrações concluídas e casos sem alternativa também precisam aparecer separadamente.

Isso não exige um programa permanente de telemetria. Exige um recibo versionado para uma mudança importante no caminho dos dados: regra, aviso, alternativa, período de carência, teste limitado e condição para pausar a expansão caso o comportamento observado difira do esperado. Remover duplicatas exatas é uma decisão; remover todos os objetos cobertos por ROAs válidos é outra. Encerrar NRTM seria uma terceira. Chamar tudo de “uso” apagaria as distinções necessárias para decidir.

Fontes