Resumo
- A RFC 3479 numerou operações LDP protegidas e fez do ACK cumulativo a fronteira do prefixo que o receptor havia tornado durável.
- Na reconexão, o sufixo incerto era reenviado; checkpoints forçavam a confirmação e três mensagens Cork fechavam os dois sentidos antes da parada.
Uma nova conexão TCP começa vazia. Ela não traz consigo a resposta sobre a última solicitação de rótulo enviada na conexão anterior. O vizinho pode tê-la recebido, processado, guardado ou perdido. A RFC 3479 surgiu nesse intervalo e o transformou em conciliação: duas histórias parciais precisavam encontrar o último ponto comum demonstrável.
O FT Session TLV definia o universo da conciliação. S habilitava operações com número de sequência; A podia exigir proteção para todos os rótulos; C escolhia checkpoints e podia operar sem S. O significado de uma confirmação dependia desses bits. Sem o registro da negociação, “checkpoint concluído” não diz quais mensagens estavam dentro dele.
Uma operação protegida levava FT Protection TLV e sequência própria daquela sessão. O receptor só podia enviar FT ACK depois de assegurar a mensagem ou o estado gerado por ela. A implementação podia salvar a mensagem inteira ou sua consequência. O formato era local; a durabilidade diante do failover era o compromisso comum.
Os ACKs eram cumulativos. Confirmar quatro cobria um a quatro, nunca cinco em diante. Podiam ser acumulados, adiados e repetidos, mas não enviados fora de ordem. Se demorassem demais, o espaço de sequências não confirmadas acabava e novas operações FT paravam. Menos tráfego de ACK significava maior cauda de incerteza.
Quando TCP voltava, cada par anunciava a última sequência assegurada. O emissor reenviava as operações posteriores e o receptor as tratava como novas. O protocolo não fingia restaurar os bytes perdidos; reconstruía apenas o sufixo cujo destino ainda não estava provado.
Havia duas reduções net-zero: Label Request com Label Abort e Label Mapping com Label Withdraw. Porém, ter os dois itens na fila local não autorizava descartá-los. A primeira metade poderia ter atravessado antes da queda. A fronteira ACK do outro lado precisava ser conhecida antes de concluir que o par realmente se anulava.
Address e Address Withdraw também entravam no registro. Sem isso, um endereço poderia permanecer válido para apenas um dos pares. Endereços que perderam validade precisavam de retirada explícita após o retorno. Sem preservação afirmada pelos dois lados, o conjunto antigo era considerado retirado e anunciado novamente.
Checkpoint mudava a granularidade. Um Keepalive protegido pedia que o vizinho assegurasse todas as mensagens check-pointable anteriores e devolvesse a fronteira. Com C sem S, mensagens comuns não carregavam sequência ativa individual; o conjunto era sincronizado pelo checkpoint. Com S, a cobertura recaía sobre operações sequenciadas e endereços. O nome sozinho não definia o alcance.
Uma parada controlada exigia mais que confirmação unilateral. Quem pedia a parada também precisava mostrar que guardara tudo o que recebera. O FT Cork TLV criou três passos: pedido, conclusão e silêncio do vizinho, e fechamento no sentido inverso. Só a terceira passagem colocava os dois registros no mesmo ponto final.
Se um par não conseguia preservar ou pendurar operações, devia limpar FT Reconnect Flag. Se qualquer lado o limpasse, o estado antigo era abandonado. Mudança nos parâmetros, como os limites do espaço de rótulos, também impedia continuidade simples: a mesma operação poderia deixar de ter significado válido.
A nota do IESG é parte central da história. Ela afirmou que as orientações sobre timers e tentativas eram insuficientes, alertou sobre failover prematuro e recusou transformar o desenho em modelo geral para tolerância a falhas TCP. A RFC especificou como conciliar evidência, não uma configuração segura para todo ambiente.
O recorte não repete a RFC 3478, que já possui estado de encaminhamento obsoleto e janelas de recuperação, nem a RFC 3612, que possui a diferença entre estado preservado, ACK e verdade de encaminhamento. Aqui estão o escopo negociado, sequências, fronteira durável, reemissão, net-zero, checkpoint e Cork.
Pela disciplina de Heng Lu, a auditoria começa pelas identidades das sessões, bits S/A/C/R e parâmetros. Depois constrói duas colunas com sequências enviadas, estado assegurado e ACK realmente transmitido. Congela filas na falha; justifica cada reemissão e cancelamento após a volta; conserva as três mensagens Cork e o instante em que cada lado parou de criar operações.
Um ACK não cobre o futuro. Um checkpoint não cobre uma população não negociada. Um Cork isolado não é silêncio bilateral. E nenhum desses recibos prova entrega de serviço. Eles respondem algo anterior: qual trecho da história operacional os dois pares conseguem reconhecer juntos.
Essa foi a contribuição histórica da RFC 3479. Em vez de chamar amnésia de recuperação, ela limitou a divergência entre duas memórias. Sequências definiram a pergunta, ACKs localizaram o passado comum, reemissão refez o sufixo e Cork criou o ponto final compartilhado.
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