Resumo

  • No modelo de ataque por texto conhecido da RFC 2405, reduzir a vida útil da chave não bastava: datagramas IP normalmente começam com cabeçalhos previsíveis ou fáceis de adivinhar.
  • DES-CBC oferecia confidencialidade, não autenticação. IV, busca de chaves, integridade e gestão de Security Associations tratavam de questões diferentes.

Uma vida útil sem cronômetro universal

Publicada em novembro de 1998, a RFC 2405 especificou DES no modo CBC como mecanismo de confidencialidade para ESP. Não estabeleceu um prazo fixo nem um volume máximo de dados por chave. A decisão ficava vinculada ao valor da informação protegida e à estimativa dos recursos do atacante. É um juízo de risco, não uma promessa de que trocar a chave no calendário torne o algoritmo resistente.

O documento expôs o motivo: citou o projeto de uma máquina de um milhão de dólares que, segundo estimativa de 1993, poderia recuperar uma chave DES em três horas e meia. Também observou que datagramas IP geralmente começam com texto de cabeçalho conhecido ou fácil de prever. A conclusão da RFC é específica ao ataque descrito: trocar as chaves com frequência não o impediria. São afirmações históricas registradas em 1998, não preço atual, benchmark ou resultado de teste. A RFC ainda preservou uma ressalva da época: DES-CBC oferecia mais privacidade do que enviar o datagrama em claro.

Três proteções, três tarefas

Cada datagrama ESP carregava um vetor de inicialização explícito de oito octetos. A RFC exigia que o IV fosse aleatório e proibia contador ou outra fonte de baixa distância de Hamming entre valores consecutivos. Assim, o receptor podia começar a descriptografar um datagrama mesmo que outro tivesse sido perdido ou reordenado. Essa autonomia do pacote não autenticava o texto cifrado nem aumentava o custo de busca por uma chave DES.

A RFC 2405 diz que DES-CBC não é um mecanismo de autenticação. Desaconselha fortemente seu uso sem autenticação correspondente e descreve o risco de recortar e colar blocos CBC. Um mecanismo de autenticação podia tratar a integridade; a troca de chave não o substituía. A confiança também dependia da implementação, da gestão das Security Associations e de todos os nós participantes.

Do suporte obrigatório ao “MUST NOT”

Os requisitos de algoritmos para ESP mudaram em etapas. A RFC 4305 classificou DES-CBC como “SHOULD NOT”, substituindo exigências anteriores de implementação obrigatória. A RFC 4835 manteve esse nível; a RFC 7321 mudou para “MUST NOT”; a RFC 8221 o preservou. Essa sequência registra requisitos de interoperabilidade datados, não quando todos os equipamentos pararam de usar DES.

Uma norma pode reduzir a pressão por compatibilidade futura sem apagar sistemas já instalados. Especificação, configuração local, transform negociado, processamento autenticado de pacotes e medição de uso são evidências diferentes. Um parágrafo sobre vida útil da chave não permite fundi-las.

Fontes