Resumo
- A receita trimestral da Nokia foi de €4,815 bilhões, 9% maior em moeda constante e 8% em base reportada.
- A receita de clientes de IA e nuvem chegou a €446 milhões, alta de 105% em moeda constante; os pedidos somaram €2,8 bilhões.
- Cerca de metade dos pedidos deve virar receita nos próximos doze meses.
- O lucro operacional comparável foi de €434 milhões, mas o resultado reportado foi prejuízo de €50 milhões após €390 milhões em encargos de reestruturação.
- O fluxo de caixa livre ficou negativo em €732 milhões; encargos de reestruturação de 2026 devem chegar a €800 milhões.
A aquisição futura em Chandler responde a uma restrição que já aparece nos pedidos. A Nokia diz que a oferta continua sendo o principal limite da indústria, levando clientes de IA e nuvem a fazer compromissos de prazo mais longo. Controlar uma fábrica de semicondutores de fosfeto de índio pode reduzir parte dessa dependência em componentes ópticos.
Mas o calendário importa. A Nokia assinou um acordo definitivo para adquirir o campus da NXP e pretende alugar inicialmente parte da capacidade no começo de 2027. A compra do local completo é esperada para o primeiro trimestre de 2029, sujeita a aprovações. O valor não foi informado.
Portanto, o ativo ainda não pertence à Nokia e não produziu capacidade para o trimestre. Ele representa uma opção de execução industrial que exigirá conversão da planta, aprovação e capital antes do benefício integral.
A carteira atual já responde à IA
Network Infrastructure cresceu 12% em moeda constante. Optical Networks avançou 20% e IP Networks, 16%. A receita para clientes de IA e nuvem mais que dobrou, de €220 milhões para €446 milhões, alta de 105% em moeda constante.
Os pedidos desse grupo chegaram a €2,8 bilhões. A administração espera que aproximadamente metade seja reconhecida como receita em doze meses. A diferença entre €446 milhões vendidos e €2,8 bilhões pedidos sinaliza demanda, mas também expõe o trabalho pendente de fabricar, entregar, aceitar, faturar e receber.
No grupo inteiro, a receita reportada subiu 8% para €4,815 bilhões. A margem operacional comparável aumentou para 9,0%, com lucro comparável de €434 milhões. A medida reportada, porém, mostrou prejuízo operacional de €50 milhões e margem de -1,0%.
A transformação consome o caixa de hoje
O principal ajuste foi de €390 milhões em encargos de reestruturação no trimestre. Para 2026, Nokia espera €800 milhões em encargos e entre €700 milhões e €800 milhões em saídas de caixa relacionadas a todos os programas.
O total inclui o encerramento do programa iniciado em 2023, a integração mais rápida da operação chinesa e €200 milhões em ações adicionais principalmente na Europa. O relatório não quantifica demissões nesta atualização; não há base para converter os encargos em número de postos.
O fluxo de caixa livre foi negativo em €732 milhões. A saída de capital de giro chegou a cerca de €1,15 bilhão, incluindo aproximadamente €280 milhões em contas a receber e €170 milhões de pagamentos de reestruturação.
A hipótese de capex de 2026 caiu para €800 milhões a €900 milhões, principalmente por mudanças imobiliárias, sem abandonar a expansão da manufatura óptica. A redução alivia parte da despesa, mas não elimina o financiamento do crescimento.
O teste seguinte combina dois calendários. No curto prazo, a Nokia precisa transformar pedidos em receita e recebimento enquanto o custo da reestruturação diminui. No longo prazo, precisa obter aprovações e adaptar Chandler sem tratar a compra futura como capacidade pronta. Se ambos avançarem, a empresa ganha demanda e controle de oferta; se falharem, terá financiado as duas pontas do risco.

