Resumo

  • O relatório anual de 2023 da NANOG tornou pública uma parte rara da cadeia de seleção: um prestador de administração de bolsas forneceu as 12 candidaturas mais bem colocadas, e um comitê de três integrantes escolheu quatro beneficiários. Doze é o tamanho da lista entregue ao comitê, não o total de inscrições.
  • Os registros entre 2017 e 2024 revelam regras históricas, nomes de premiados, valores em alguns anos, uma explicação orçamentária em 2022, o fim aprovado da relação com a Scholarship America, a dissolução de dois comitês e uma linha de despesa de bolsas zerada em 2024. Eles não mostram, porém, os denominadores de entrada e elegibilidade, o método de classificação, os pesos de avaliação, impedimentos e abstenções por conflito, a ponte completa entre registros contábeis nem o responsável sucessor.
  • A privacidade de estudantes justifica manter sigilosos candidaturas, referências, condição financeira, pontuações individuais e razões de rejeição. Ela não impede a publicação de números agregados, regras, papéis decisórios, um registro agregado de impedimentos e abstenções por conflito, valor autorizado e uma mensuração limitada de resultados com consentimento.
  • Um registro anual de decisão, estável mesmo quando muda o prestador ou o comitê, permitiria verificar a continuidade do propósito e do processo sem transformar beneficiários em representantes da comunidade nem converter relatos individuais em prova de impacto geral.

O número que parece explicar mais do que explica

“As 12 melhores candidaturas” é uma expressão tentadora. Um leitor apressado pode tratá-la como se descrevesse o universo inteiro de 2023: 12 pessoas teriam se inscrito, quatro teriam sido escolhidas e oito teriam ficado de fora. O documento publicado pela NANOG não permite essa reconstrução. Ele descreve a entrada do Comitê de Bolsas, não a entrada do programa. Um prestador de administração entregou 12 candidaturas ao comitê; o comitê então selecionou quatro pessoas. Antes desse ponto, pode ter havido um conjunto maior de submissões, uma triagem de completude, uma verificação de elegibilidade ou outra forma de análise.

O registro consultado não diz qual dessas hipóteses ocorreu, em que ordem ocorreu ou com quais números.

Essa distinção não é semântica. Cada número responde a uma pergunta diferente. O total de submissões mostra o alcance bruto de um ciclo. O número de candidaturas completas mostra quantas chegaram em condições de análise. O número de elegíveis mostra quantas satisfizeram as regras. O tamanho da lista reduzida mostra quantas avançaram para a etapa seguinte. O número de premiados mostra o resultado final. Se apenas os dois últimos aparecem — 12 e quatro —, é possível calcular que o comitê escolheu quatro entre as 12 candidaturas que recebeu. Não é possível calcular uma taxa de seleção em relação a todas as pessoas que tentaram concorrer.

Também não se pode inferir quantas foram excluídas por documentação incompleta, quantas não atenderam a um requisito ou quantas foram comparadas numa classificação substantiva.

O mérito da divulgação de 2023 está precisamente em tornar uma etapa visível. Muitos relatos institucionais publicam somente fotografias e nomes de vencedores. A NANOG informou que houve um intermediário administrativo, que esse intermediário produziu uma lista de 12 e que a escolha de quatro coube a um comitê. Também nomeou os integrantes desse comitê: Jeff Budney, Michael Costello e Tony Tauber. Em outra parte do relatório, Michael Costello aparece como integrante do Conselho e elo desse órgão com o comitê. Isso permite desenhar uma cadeia mínima de controle.

Mas a mesma nitidez faz surgir perguntas que uma formulação genérica — “a NANOG concedeu bolsas” — esconderia.

Quem definiu a elegibilidade daquele ciclo? O prestador apenas verificou documentos ou também avaliou mérito? O que significava “top” no contexto da lista de 12: uma pontuação numérica, categorias de avaliação, uma classificação ordinal ou outro método? O comitê recebeu notas e comentários ou reavaliou cada candidatura? A decisão foi por consenso, votação ou soma de avaliações? Houve empate? Algum integrante declarou conflito ou se absteve? O representante do Conselho junto ao comitê tinha voto, e, se tinha, exerceu-o? Nenhuma dessas perguntas pode ser respondida com as fontes examinadas.

O desconhecimento não prova irregularidade; prova apenas que a trilha pública termina antes de o leitor alcançar o mecanismo.

Os quatro resultados de 2023 são públicos. O relatório nomeou Nate Sales, Jason Zheng, Arisa Chue e Any Zelaya Delgado e os identificou como estudantes de ciência da computação nas instituições ali indicadas. A publicação dos nomes oferece transparência de saída e reconhecimento aos beneficiários. Não oferece, por si só, transparência de processo. Uma lista de vencedores responde “quem recebeu?”. Não responde “como o grupo elegível foi formado?”, “quem controlou cada filtro?” ou “quais regras prevaleceram quando candidatos fortes tiveram de ser comparados?”.

Essa lacuna merece atenção porque a bolsa é uma oportunidade finita. A escolha transfere apoio educacional material e reconhecimento institucional para algumas pessoas, não para todas. Se os recursos só permitem quatro bolsas, selecionar é inevitável; a questão não é abolir a discricionariedade, mas torná-la compreensível no nível certo. Um processo pode ser conduzido de boa-fé, proteger adequadamente os estudantes e ainda assim deixar pouca evidência agregada para que terceiros verifiquem se propósito, regras e responsabilidade continuaram os mesmos ao longo do tempo.

Antes da lista de 12: o que o histórico torna visível

A cronologia pública começa antes de 2023. Em maio de 2017, uma mensagem no arquivo de participantes da NANOG informou que o programa Network Operators Scholarship havia sido lançado em abril. A primeira rodada deveria encerrar as candidaturas em 2 de junho, com concessões previstas para setembro de 2017. A mensagem registra um começo, um prazo e uma expectativa de decisão. Não informa quantas pessoas se candidataram, qual foi a lista reduzida, quanto valia a bolsa ou por que determinadas pessoas foram escolhidas.

Já no lançamento, portanto, a narrativa pública enfatizava a disponibilidade da oportunidade, não uma contabilidade completa de sua seleção.

Uma página arquivada do programa de 2019 oferece um retrato muito mais detalhado, mas estritamente histórico. Ela descrevia bolsas educacionais destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação em áreas específicas de computação, redes, engenharia elétrica e telecomunicações. Exigia média mínima equivalente a 3,0 numa escala de 4,0 e matrícula de pelo menos seis créditos ou em tempo integral, em graduação ou pós-graduação, numa instituição credenciada no ano acadêmico relevante. Informava que a Scholarship America administrava o programa em nome da NANOG.

Cada pessoa selecionada receberia uma bolsa única de US$ 10 mil, com até quatro bolsas; beneficiários anteriores não poderiam concorrer novamente sob aqueles termos.

Esse conjunto é valioso porque mostra que a NANOG já tornou públicos vários componentes importantes: quem poderia entrar, uma exigência acadêmica, a intensidade mínima de matrícula, o caráter não recorrente do benefício, o valor por pessoa, o máximo de concessões e a identidade do administrador. A página também dizia que as bolsas seriam concedidas sem consideração a uma lista de características protegidas e socioeconômicas. Essa formulação descreve uma regra ou compromisso declarado. Ela não mede a composição do conjunto de candidatos nem demonstra, sozinha, um efeito demográfico.

Há uma cláusula particularmente instrutiva: o prazo de 16 de abril de 2019 ou as primeiras 50 submissões, o que ocorresse antes. Cinquenta, nesse caso, era um teto de entrada, não um resultado observado. A página não prova que 50 candidaturas completas chegaram, que 50 foram elegíveis ou que 50 foram avaliadas. Confundir um limite anunciado com um denominador realizado produziria o mesmo erro de tratar as 12 candidaturas de 2023 como o total de inscrições. Regras, capacidades máximas e contagens efetivas são objetos diferentes e devem ser publicados como tais.

Também é importante resistir à tentação de projetar os termos de 2019 sobre anos posteriores. A página arquivada prova o que estava descrito para aquele ciclo histórico. Não estabelece que a média mínima, os campos de estudo, a restrição a beneficiários anteriores, o valor, o máximo de quatro concessões ou o administrador permaneceram iguais em 2023, 2024 ou 2026. Um registro de decisão anual resolveria essa ambiguidade com uma operação simples: republicar os parâmetros de cada ciclo e indicar explicitamente o que mudou. Sem ele, o leitor corre o risco de preencher lacunas recentes com uma política antiga.

O relatório anual de 2019 mostra a outra extremidade do processo. Ele nomeou Celine Irvene, Sydney Pugh, Daniel Albrecht e Chinasa Okolo como os quatro beneficiários e apresentou as bolsas sob os nomes Abha Ahuja e John Postel. Trouxe declarações de beneficiários e enquadrou o programa como parte de um esforço para envolver mais estudantes, mulheres e pessoas negras e de outras origens racializadas em bolsas e programas educacionais. Esse enunciado registra o propósito declarado pela organização.

Não fornece o número de candidaturas por grupo, taxas de avanço entre etapas ou uma mensuração de impacto que demonstre ter alcançado o resultado pretendido.

Há uma diferença essencial entre comunicar propósito e demonstrar desempenho. Um propósito pode ser sério, socialmente relevante e orientar escolhas. Para medir se foi realizado, porém, seria necessário conhecer pelo menos os denominadores adequados e definir o que conta como resultado. Quantas pessoas conheceram a oportunidade? Quantas puderam completar a candidatura? Quantas eram elegíveis? Quantas receberam o apoio? O programa pretendia financiar educação, promover acesso a reuniões, ampliar participação em operações de rede ou combinar objetivos? Em que intervalo um resultado seria observado?

As fontes analisadas não oferecem uma série que responda a essas perguntas. Por isso, este artigo não transforma linguagem de missão em afirmação causal.

Quatro nomes, um uso concreto e o limite do testemunho

O relatório anual de 2021 nomeou quatro beneficiários: Esu Ekeruche, Wendy Ruan, Juan Perez e Charly Guttierrez Jimenez. Descreveu as bolsas Abha Ahuja e John Postel como prêmios de US$ 10 mil. Uma declaração publicada de Wendy Ruan explicou que o apoio lhe permitiu substituir um laptop inadequado e continuar os estudos com menos preocupações. Trata-se de evidência concreta e humanamente significativa. Um equipamento capaz pode alterar a experiência cotidiana de uma estudante; a fala também ilustra por que uma bolsa não é apenas uma linha abstrata de orçamento.

Mas o testemunho de uma pessoa não deve carregar um peso estatístico que não possui. Ele prova o uso e a experiência que aquela beneficiária relatou. Não estima o efeito médio entre todos os premiados, não mostra o que teria acontecido sem a bolsa e não estabelece que o programa produziu uma trajetória profissional específica. Também não informa se outras candidaturas enfrentavam dificuldades semelhantes ou diferentes. Preservar essa escala não diminui o relato; impede apenas que uma experiência individual seja convertida em avaliação geral sem base.

O relatório de 2022 nomeou Katherine Coward e Angelina Xu como as duas beneficiárias, cada uma com US$ 10 mil. Identificou Coward com engenharia da computação na Widener University e Xu com ciência da computação no MIT. A queda de quatro nomes em anos anteriores para dois nomes nesse relatório chama atenção, mas a contagem, sozinha, não explica a causa. É no Form 990 de 2022 que surge uma indicação institucional: a declaração diz que as bolsas concedidas foram menores naquele ano por restrições orçamentárias.

Mesmo aqui, é preciso evitar atalhos. “Menores” no contexto da declaração pode ser relacionado ao montante ou ao volume de concessões descrito pelo documento, mas o registro deve ser lido em seus próprios termos. A informação permite vincular o ciclo a uma limitação de orçamento declarada pela NANOG; não permite atribuir motivos ocultos, avaliar se o limite foi bem escolhido ou inferir como duas pessoas venceram a comparação com outras. O denominador continua desconhecido.

Os relatórios de 2019, 2021, 2022 e 2023 constroem uma sequência de saídas: quatro, quatro, duas e quatro pessoas nomeadas, respectivamente. Essa sequência não é uma série de taxas de seleção. Sem o número total de candidaturas e de elegíveis em cada ano, não sabemos se duas bolsas em 2022 representaram uma chance maior, menor ou semelhante de êxito em comparação com quatro bolsas em outro ciclo. Nem sabemos se as regras de entrada, o orçamento, a qualidade do conjunto, o desenho dos prêmios ou o calendário eram equivalentes. Comparar numeradores sem denominadores pode criar uma falsa aparência de tendência.

O ano de 2022 e as duas linguagens do dinheiro

O Form 990 de 2022 adiciona informação que o relatório anual não traz no mesmo formato. Ele descreveu despesa de serviço do programa de bolsas de US$ 26.450, incluindo subvenções de US$ 10 mil. No Anexo I (Schedule I), registrou uma subvenção em dinheiro de US$ 10 mil à Scholarship America para bolsas. Também informou que a NANOG havia contratado a Scholarship America para administrar o programa e monitorar o uso dos recursos concedidos. Segundo a declaração, o programa era revisto anualmente e mudanças eram acordadas antes do processo de seleção do ano corrente.

Colocados ao lado do relatório anual, esses dados não produzem uma reconciliação imediata. O relatório anual diz que duas pessoas receberam US$ 10 mil cada. O Form 990 mostra uma despesa de programa de US$ 26.450 que incluía subvenções de US$ 10 mil e uma linha de US$ 10 mil para a Scholarship America. Os números podem refletir unidades de reporte, momentos de reconhecimento e componentes diferentes. O conjunto público examinado não apresenta a ponte que permitiria alinhar cada cifra com cada concessão, custo administrativo ou período.

Chamar isso simplesmente de contradição seria mais categórico do que a evidência permite. Um relatório anual pode organizar a narrativa por beneficiários e valor nominal de cada prêmio. Uma declaração fiscal pode classificar despesas e subvenções de acordo com regras contábeis e períodos próprios. A administração e o monitoramento também podem envolver custos ou movimentos que não aparecem como valor entregue diretamente a uma pessoa no relato editorial. O que se pode afirmar é mais preciso: há uma lacuna de descrição pública entre duas visões legítimas, e o leitor não consegue reconciliá-las apenas com os documentos apresentados.

Também seria errado concluir que a linha de US$ 10 mil para a Scholarship America prova que apenas uma bolsa de US$ 10 mil foi paga. A declaração nomeia a entidade e a finalidade da subvenção; o relatório anual nomeia duas beneficiárias e os valores atribuídos a elas. Sem uma tabela de ponte, transformar uma linha contábil numa contagem de pessoas substituiria o documento por uma suposição. Nada no conjunto analisado demonstra que as beneficiárias receberam menos do que o relatado ou que houve uso indevido de recursos.

Uma nota anual curta poderia eliminar grande parte da ambiguidade. Ela não precisaria expor dados pessoais. Poderia registrar, por ciclo: valor nominal autorizado; número de concessões; total autorizado; total reconhecido como despesa naquele exercício; parcela transferida por meio do administrador; custos de administração ou monitoramento, se aplicável; e diferenças de competência, pagamento ou classificação que façam o relatório anual divergir visualmente da declaração fiscal. Essa ponte transformaria duas linguagens do dinheiro numa mesma história auditável.

O Form 990 oferece ainda uma pista sobre o desenho de responsabilidade. Se a Scholarship America administrava o programa e monitorava recursos, ela exercia controle prático sobre partes da execução. A NANOG, por sua vez, revia o programa e acordava mudanças antes da seleção. Isso não diz quem tomava cada decisão individual, mas mostra por que a frase “a NANOG concedeu” comprime uma cadeia. Definir regras, receber candidaturas, verificar elegibilidade, classificar, selecionar, desembolsar e monitorar não são necessariamente tarefas da mesma parte.

Uma prestação de contas útil deve acompanhar essa divisão. Se uma organização externa filtra candidaturas, a metodologia da triagem deve ser atribuída a essa etapa. Se um comitê escolhe entre finalistas, seus critérios e método devem ser registrados para a etapa final. Se o Conselho muda o administrador, a decisão deve identificar quem executará a transição. Se a equipe publica vencedores e processa pagamentos, convém distinguir comunicação de autoridade substantiva. Responsabilidade não exige presumir conflito de interesses; exige apenas saber quem tinha capacidade de produzir cada resultado.

2023: uma passagem de bastão em duas direções

O relatório anual de 2023 é incomum porque permite enxergar o meio do processo. Segundo ele, o propósito do Comitê de Bolsas era revisar e selecionar os beneficiários das bolsas oferecidas a cada ano. Nesse ciclo, o comitê analisou as 12 candidaturas mais bem colocadas fornecidas pelo prestador de administração de bolsas e escolheu quatro pessoas. O enunciado separa o trabalho de produzir a lista reduzida do trabalho de decidir os resultados finais.

Essa separação é uma forma de transparência institucional. Ela indica que o comitê não começou necessariamente com todas as submissões e que um agente anterior moldou o conjunto submetido à sua apreciação. Ao mesmo tempo, deixa a natureza desse primeiro filtro em aberto. O prestador poderia ter aplicado apenas regras formais, poderia ter classificado candidaturas segundo critérios predefinidos ou poderia ter combinado etapas. A palavra “top” sugere ordenação, mas não revela como a posição foi formada. Este artigo não escolhe entre possibilidades que o documento não resolve.

A identidade do prestador que entregou a lista de 12 também não deve ser preenchida por aproximação. O registro de 2022 diz que a Scholarship America administrava o programa, e a página histórica de 2019 dizia o mesmo para aquele ano. O relatório de 2023 registra, separadamente, que o Conselho aprovou em outubro o fim da relação com a Scholarship America. Esses fatos não demonstram, por si sós, que ela foi o prestador sem nome responsável pela lista específica usada na seleção de 2023. A sequência temporal exata entre a seleção, a atuação do prestador e a decisão de outubro não aparece na mesma entrada.

Logo, a formulação correta permanece “o prestador de administração de bolsas”, sem atribuir-lhe uma identidade não confirmada para esse ato.

A decisão de encerrar uma relação administrativa abre um segundo movimento: não mais da triagem para o comitê, mas de uma configuração institucional para outra. O relatório registra a aprovação do Conselho. Não identifica, na mesma anotação, o administrador substituto, os termos de transição ou se a seleção dos quatro ocorreu antes ou depois dessa decisão. Também não mostra se dados, obrigações de monitoramento, pagamentos pendentes ou responsabilidades de comunicação foram transferidos. Nenhuma dessas lacunas prova que a transição foi mal executada. Elas mostram o que um leitor externo não consegue acompanhar.

Esse tipo de mudança torna um registro durável mais importante. Quando a memória do processo reside somente na página de um programa, no contrato de um prestador ou na composição de um comitê, a troca de qualquer peça pode romper a série. Um registro anual pertencente à organização, com campos estáveis, preserva a continuidade mesmo que o executor mude. Ele permite dizer: neste ciclo, as regras eram estas; este agente verificou a entrada; aquele órgão fez a seleção; estes valores foram autorizados; este é o responsável pela etapa seguinte.

O desenho também protege as próprias instituições. Sem clareza, observadores podem atribuir ao comitê decisões que ocorreram antes de ele receber a lista, ou responsabilizar o prestador pela escolha final que coube ao comitê. Podem tratar a presença de um elo com o Conselho como prova de controle total ou, no extremo oposto, ignorar qualquer papel de governança. Uma matriz de responsabilidade reduz essas simplificações. Ela não precisa publicar avaliações individuais: basta indicar quem definiu, executou, aprovou e revisou cada etapa.

2024: dissolução, zero contábil e uma conclusão que não se pode tirar

O relatório anual de 2024 registra que o Conselho aprovou, na parte de outubro de sua cronologia, a dissolução dos Comitês de Bolsas e de Educação. Essa é uma mudança formal relevante. O órgão que, no ano anterior, tinha propósito explícito de revisar e selecionar beneficiários deixou de existir. O documento analisado não identifica quem, se alguém, herdou a autoridade de seleção.

Dissolver um comitê, entretanto, não é o mesmo que extinguir um programa. Uma organização pode suspender uma atividade, redesenhar a governança, transferir a decisão para a equipe ou o Conselho, contratar outro agente, combinar estruturas ou deixar de oferecer prêmios. A fonte não permite escolher uma dessas alternativas. A formulação “o programa acabou em 2024” ultrapassaria o registro. A pergunta defensável é mais limitada: depois da dissolução, qual unidade passou a ser a responsável decisória, ou a atividade ficou sem ciclo naquele período?

As demonstrações financeiras auditadas de 2024 acrescentam outra peça. Na tabela de despesas funcionais, não aparece despesa de bolsas em 2024; a coluna comparativa de 2023 mostra US$ 40 mil de despesa de bolsas sob outros programas. O contraste é forte, mas sua interpretação deve permanecer disciplinada. Uma linha zerada não prova que toda forma de assistência cessou, que nenhuma decisão de concessão ocorreu, que o programa foi cancelado ou que uma atividade relacionada não foi classificada em outra conta. Também não informa quando uma eventual decisão teria sido tomada.

A sequência pública pode ser descrita sem transformá-la numa causalidade: em 2023 houve uma lista de 12 fornecida por um prestador e quatro escolhas pelo comitê; em outubro de 2023 o Conselho aprovou encerrar a relação com a Scholarship America; em 2024 o Conselho aprovou dissolver os Comitês de Bolsas e de Educação; na demonstração auditada de 2024, a despesa de bolsas é zero, diante de US$ 40 mil em 2023. Esses eventos estão em ordem. As fontes não provam que o primeiro causou o segundo, que a troca de administrador causou a dissolução ou que a dissolução causou a linha zero.

Essa cautela não esvazia a investigação. Ao contrário, identifica o ponto exato em que a prestação de contas falha: o leitor dispõe de decisões estruturais e cifras anuais, mas não de uma ponte narrativa que explique o estado do programa, o responsável e o tratamento do ciclo. Uma nota institucional poderia dizer, sem expor qualquer estudante, se houve abertura de candidaturas; se não houve, se se tratava de pausa, revisão ou outra situação; quem detinha autoridade; e como os valores foram contabilizados. Na ausência disso, a conclusão correta é uma incerteza delimitada, não uma acusação.

O registro público de recursos da NANOG complica ainda mais a leitura, de maneira útil. A página descreve programas educacionais, bolsas e programas de apoio à participação (fellowships) como mecanismos criados para ajudar pessoas sem recursos ou apoio financeiro a participar de uma reunião da NANOG. Já a página histórica de 2019 descrevia uma bolsa educacional para estudantes, com campos de estudo, matrícula e prêmio de US$ 10 mil. As duas descrições podem refletir tipos diferentes de programa ou uma formulação ampla. Não devem ser fundidas num único produto sem evidência adicional.

Uma bolsa educacional, um programa de apoio à participação, auxílio de viagem e apoio à presença numa reunião podem ter objetivos, critérios, valores, riscos e responsáveis diferentes. A ausência de uma despesa sob a rubrica “scholarship” não diz automaticamente o que ocorreu com qualquer outra forma de apoio. Do mesmo modo, a disponibilidade genérica de uma página de recursos não prova termos atuais, oferta em 2026 ou continuidade de uma bolsa histórica. O primeiro campo de um bom registro deveria justamente declarar o tipo de benefício de cada ciclo.

Uma bolsa não transforma o beneficiário em representante

Programas associados a comunidades técnicas costumam ser narrados com uma linguagem de futuro: formar a próxima geração, ampliar a participação, aproximar novos talentos. Essas aspirações podem ser legítimas. Elas também criam o risco de pedir aos beneficiários que simbolizem mais do que sua condição permite. Receber uma bolsa não dá mandato para representar estudantes, mulheres, pessoas negras e de outras origens racializadas, futuros operadores ou a comunidade NANOG. A escolha é uma concessão de apoio, não uma eleição.

Por isso, nomes, cursos e depoimentos não devem ser usados para inferir a composição ou a preferência do processo. Os registros nomeiam instituições e áreas de estudo de alguns beneficiários, mas não mostram a distribuição entre candidatos. Não se pode concluir que uma escola, especialidade, origem ou relação aumentou a chance de seleção. Tampouco é possível medir diversidade observando somente quem venceu. Para qualquer comparação, seriam necessários denominadores adequados e regras rigorosas de privacidade, especialmente quando os grupos são pequenos.

Essa separação também protege os premiados. Se uma organização apresenta quatro pessoas como prova de uma transformação institucional ampla, transfere a elas uma responsabilidade que pertence ao desenho do programa. Um beneficiário pode relatar um efeito pessoal, como a substituição de um laptop inadequado, sem que sua história se torne evidência de causalidade para toda a iniciativa. Reconhecimento individual e avaliação de política são gêneros distintos.

O mesmo vale para resultados profissionais. As fontes examinadas não estabelecem graduação, emprego, trabalho em operações de rede, participação posterior em reuniões da NANOG, associação, palestras ou voluntariado como resultados dos premiados. Não se pode afirmar que o programa construiu a força de trabalho de operadores ou mudou carreiras como resultado mensurado. Um registro futuro poderia coletar, com consentimento, alguns indicadores agregados em intervalos definidos. Até lá, a honestidade exige preservar o limite.

A defesa mais forte da instituição

Qualquer proposta de transparência precisa começar reconhecendo por que parte do processo deve permanecer fechada. Bolsas são necessariamente seletivas quando o dinheiro é finito. Candidaturas podem conter histórico acadêmico, referências, informações financeiras, descrições de necessidade e circunstâncias pessoais. Tornar esses materiais públicos invadiria a privacidade, poderia desencorajar candidatos e criaria riscos desproporcionais para quem não recebeu o benefício.

Um administrador externo pode oferecer vantagens reais. Pode aplicar requisitos com consistência, lidar com obrigações tributárias, separar dados sensíveis da organização patrocinadora, organizar o volume de trabalho e monitorar o uso dos recursos. Um comitê com conhecimento da área pode acrescentar julgamento substantivo onde critérios mecânicos não bastam. Nem a terceirização nem a deliberação reservada constituem, por si, defeito.

A NANOG também publicou informações relevantes. Em anos diferentes, nomeou beneficiários e informou valores. Registrou uma restrição orçamentária numa declaração federal. Expôs em 2023 que uma lista de 12 vinha de um prestador antes de o comitê selecionar quatro pessoas. Nomeou integrantes do comitê. Divulgou a decisão de encerrar a relação com a Scholarship America e, depois, a dissolução dos comitês. Publicou demonstrações auditadas que permitem ver a diferença entre US$ 40 mil em 2023 e zero em 2024. Tudo isso é transparência substantiva, não mero ornamento.

Há ainda limites práticos. Comitês voluntários não deveriam ser obrigados a publicar atas que revelem comparações entre estudantes. Pesos excessivamente rígidos podem produzir decisões piores ou incentivar candidaturas moldadas para uma fórmula. Pequenos conjuntos tornam até dados agregados potencialmente identificáveis. Uma tabela detalhada demais pode revelar que a única pessoa de determinado grupo foi rejeitada ou selecionada. Um programa de porte modesto não dispõe necessariamente de equipe para uma avaliação longitudinal complexa.

Essa defesa enfraquece propostas invasivas, mas não elimina a necessidade de legibilidade agregada. Nenhuma das informações centrais sugeridas aqui exige publicar arquivos de candidatos. Total de submissões, contagem de candidaturas completas, número de elegíveis, tamanho da lista reduzida, critérios públicos, tamanho do comitê, número agregado de impedimentos ou abstenções por conflito, número e valor das bolsas e identidade do responsável podem ser registrados sem nomes de pessoas não selecionadas. Quando uma célula pequena criar risco, ela pode ser suprimida ou combinada.

O limite normativo é claro. Devem permanecer confidenciais as candidaturas, referências, finanças pessoais, características protegidas em nível individual, pontuações, comentários de avaliadores, razões identificáveis de rejeição e deliberações que permitam reconstituir a situação de uma pessoa. A transparência adequada descreve a máquina, não expõe quem passou por ela.

O que significa seguir o controle prático

Uma organização não precisa concentrar todas as tarefas para permanecer responsável pelo programa. Precisa, porém, tornar inteligível a distribuição de controle. No caso reconstruído, há pelo menos seis funções conceitualmente separáveis: definir o propósito e o orçamento; publicar regras e abrir o ciclo; receber e verificar candidaturas; produzir uma lista reduzida; selecionar beneficiários; desembolsar, monitorar e relatar.

As fontes históricas mostram que esses papéis já foram divididos. A página de 2019 atribuía a administração à Scholarship America. O Form 990 de 2022 dizia que essa organização geria o programa e monitorava os recursos, enquanto o programa era revisto anualmente e mudanças eram acordadas antes da seleção. Em 2023, um prestador não identificado no trecho forneceu as 12 candidaturas mais bem colocadas, e o Comitê de Bolsas escolheu quatro. O Conselho depois aprovou encerrar uma relação contratual e, em 2024, dissolver comitês.

Seguir o controle não significa insinuar que cada participante buscava poder ou tinha incentivos inadequados. As fontes não estabelecem captura, autopreservação, desperdício nem conflito. O exercício é mais simples: para cada decisão que altera o conjunto de possíveis beneficiários, identificar quem podia tomá-la e sob qual regra. Se uma pessoa é excluída por não cumprir elegibilidade, essa é uma decisão diferente de não avançar numa classificação de mérito. Se o comitê só vê 12 dossiês, não controla a passagem anterior. Se o Conselho encerra um contrato, controla a estrutura futura mesmo que não escolha os nomes.

Essa matriz ajuda a formular perguntas proporcionais. Ao administrador: quais verificações foram aplicadas e como se formou a lista? Ao comitê: quais critérios orientaram a decisão entre finalistas e qual foi o método coletivo? Ao Conselho: qual propósito, orçamento e estrutura foram aprovados, e quem sucedeu os órgãos alterados? À equipe responsável por finanças: como os valores autorizados aparecem nos exercícios? À comunicação: quais resultados e limitações serão publicados?

Também evita a expressão institucional sem sujeito. “A NANOG selecionou” pode ser correta em sentido geral, mas não revela o mecanismo. “O prestador verificou a completude; o prestador aplicou os critérios A e B; o comitê recebeu 12 candidaturas; três integrantes, com um impedimento registrado no agregado, escolheram quatro por consenso” seria muito mais informativo — se esses fossem os fatos do ciclo. O exemplo ilustra o formato, não afirma que essas regras ou esse impedimento ocorreram em 2023.

Quando a estrutura muda, o campo de sucessão se torna indispensável. O término de uma relação com um administrador e a dissolução de um comitê podem ser decisões legítimas. Mas um leitor precisa saber quem passa a responder pelas candidaturas, dados, pagamentos, monitoramento e futuras seleções. Se não houve ciclo, o registro pode dizer apenas isso e identificar a autoridade que tomou a decisão. O silêncio deixa tanto a instituição quanto potenciais candidatos sem uma referência estável.

Um registro anual de decisão em onze campos

A solução adequada não é uma sala aberta de deliberação. É um registro anual compacto, publicado depois de cada ciclo, com definições estáveis. Seus onze componentes podem acompanhar o programa mesmo que o nome, o administrador, o comitê ou a forma de apoio mude.

1. Propósito e tipo de apoio. O registro deve dizer se o ciclo oferece bolsa educacional, auxílio de viagem, acesso a reunião, programa de apoio à participação ou outra modalidade. Deve resumir o objetivo oficial sem tratar a intenção como resultado demonstrado. Esse campo impediria que a bolsa estudantil histórica fosse automaticamente confundida com o apoio geral à participação descrito na página de recursos.

2. Responsável organizacional e administrador externo. Deve identificar a unidade ou autoridade que responde pelo programa e qualquer prestador contratado. Se o prestador mudar durante o ciclo, as datas e responsabilidades de transição devem aparecer. “Administrador” precisa ser decomposto: recebimento, verificação, classificação, desembolso e monitoramento podem caber a partes distintas.

3. Abertura, prazo e limite de entrada. O registro deve publicar datas e qualquer teto, distinguindo capacidade anunciada de volume realizado. Em 2019, “primeiras 50 submissões” era uma regra de fechamento, não uma contagem. Uma coluna separada para limite evitaria que leitores tratassem o máximo como total.

4. Submissões, candidaturas completas e elegíveis. São três denominadores. O primeiro mede a entrada bruta; o segundo, a capacidade de concluir os requisitos; o terceiro, a satisfação das regras. Definições consistentes importam mais do que números isolados. Se uma submissão duplicada ou retirada não contar, a política deve dizer como é tratada.

5. Lista reduzida e quem a produziu. Deve registrar quantas candidaturas avançaram e qual parte construiu a lista. Se não houver lista reduzida, o campo pode dizê-lo. Em 2023, sabemos que 12 chegaram ao comitê por meio do prestador, mas não como foram selecionadas. Um campo anual fixo tornaria essa passagem comparável.

6. Critérios e pesos. Critérios públicos ajudam candidatos a entender o que será valorizado. Se houver pesos numéricos, eles devem ser informados antes da abertura. Se a revisão for deliberativa e não ponderada, o registro deve declará-lo em vez de inventar uma precisão matemática. Regras podem permitir julgamento e ainda assim explicar os fatores relevantes.

7. Comitê, método decisório e impedimentos agregados. Não é necessário publicar quem avaliou quem. Basta informar o tamanho do órgão, se a decisão ocorreu por consenso, voto, média de notas ou outro método e quantos impedimentos ou abstenções por conflito ocorreram no agregado. Quando até a contagem puder revelar uma pessoa em um grupo muito pequeno, pode-se usar uma faixa ou registrar que houve aplicação da política sem quantificar.

8. Quantidade, valor e período contábil. O registro deve separar número de bolsas, valor individual, total autorizado, montante reconhecido no exercício e eventuais custos administrativos. Também deve explicar quando uma diferença decorre de competência, pagamento, classificação ou execução por terceiro. É a ponte que faltou ao leitor em 2022.

9. Responsável sucessor. Mudanças de contrato, estatuto, regimento ou comitê devem acionar um campo obrigatório: quem passa a decidir e a custodiar o processo? Se o programa estiver em revisão ou não houver rodada, a autoridade que declarou esse estado deve ser identificada. Esse campo teria valor particular depois das decisões de 2023 e 2024.

10. Resultados agregados e consentidos. A organização pode perguntar, em intervalos definidos, se o beneficiário continuou os estudos ou como utilizou o apoio, desde que a participação seja voluntária e a publicação seja agregada. O indicador deve vir com taxa de resposta e não deve ser convertido em causalidade. Uma história individual pode acompanhar os dados, mas não substituí-los.

11. Regras de supressão e lista de não publicação. O registro deve prometer explicitamente que arquivos, referências, finanças, pontuações individuais e razões de rejeição não serão divulgados. Também deve estabelecer um limiar para suprimir células pequenas e explicar como lida com dados sensíveis. Transparência ganha legitimidade quando seus limites são previsíveis.

Esses campos formam uma trilha, não um ranking público de estudantes. Eles permitem responder quantas pessoas estavam em cada etapa, quem tinha autoridade e quanto foi comprometido. Não permitem reconstruir o dossiê de alguém. Ao separar contagens e papéis, o registro reduz a pressão para divulgar detalhes pessoais: o público recebe uma explicação do processo sem buscar pistas nos perfis dos vencedores.

Como publicar sem produzir novas distorções

O desenho dos dados precisa evitar que a própria transparência crie números enganadores. Primeiro, cada contagem deve ter definição e data. “Candidaturas” pode significar formulários iniciados, enviados, completos ou elegíveis. Publicar uma única coluna sem definição apenas deslocaria a ambiguidade. O registro deve manter as etapas lado a lado e explicar exclusões administrativas de forma agregada.

Segundo, séries anuais só devem ser comparadas quando o produto é equivalente. Se um ano oferece até quatro bolsas educacionais de US$ 10 mil e outro oferece apoio de reunião, não se deve traçar uma linha única como se a oportunidade fosse a mesma. Alterações de objetivo, regras, valor ou elegibilidade precisam ser marcadas como rupturas de série. Continuidade institucional não implica comparabilidade estatística.

Terceiro, os critérios publicados devem corresponder ao uso real. Uma lista de valores vagos — excelência, potencial, impacto — não informa como decisões difíceis foram resolvidas. Isso não obriga a adotar uma fórmula. Uma avaliação qualitativa pode declarar os fatores, a ausência de pesos e o método de deliberação. Se houver triagem separada, os critérios dessa etapa devem ser distintos dos usados na final.

Quarto, impedimentos ou abstenções por conflito precisam ser registrados sem produzir pistas sobre candidatos. O dado relevante é se existia uma política, se foi aplicada e quantas decisões de abstenção ocorreram no conjunto. Nomes ou motivos detalhados podem permitir identificar relações. Em grupos pequenos, até o total pode exigir supressão. O objetivo é demonstrar que o mecanismo funciona, não expor a relação que o acionou.

Quinto, a ponte financeira deve respeitar os documentos contábeis. Um quadro editorial não substitui o Form 990 nem a auditoria. Deve orientar o leitor entre valor nominal concedido, desembolso, subvenção a administrador, custo do programa e exercício de reconhecimento. O perfil da NANOG no Nonprofit Explorer, da ProPublica, oferece uma rota independente para o histórico de declarações da entidade identificada pelo EIN 27-2534183 e pela classificação 501(c)(3). Suas extrações são uma camada secundária; as afirmações exatas continuam dependentes do documento fiscal integral e das demonstrações publicadas pela NANOG.

Sexto, resultados precisam ser apresentados como observação, não atribuição causal. Se uma pessoa informa que comprou equipamento, o registro pode dizer isso com consentimento. Se determinada proporção de respondentes concluiu o curso, deve informar o universo, a taxa de resposta e o intervalo. Não deve afirmar que a bolsa causou o resultado sem um desenho capaz de sustentar a conclusão. Para um programa pequeno, uma descrição modesta e honesta é melhor do que uma métrica grandiosa.

Sétimo, a publicação deve sobreviver à troca de pessoas. Um arquivo anual, sob responsabilidade organizacional clara, é mais durável do que conhecimento disperso entre integrantes de um comitê. Campos fixos permitem que um novo administrador continue a série e registre mudanças. A estrutura também facilita explicar um ano sem ciclo ou com despesa zero sem sugerir automaticamente cancelamento definitivo.

O que os denominadores poderiam — e não poderiam — mostrar

Se a NANOG publicasse total de submissões, completas, elegíveis, lista reduzida e bolsas, seria possível calcular taxas de passagem entre etapas. Essas taxas ajudariam a identificar onde o processo é mais seletivo ou onde muitos candidatos não concluem requisitos. Uma queda acentuada entre submissão e completude poderia sugerir que o formulário, o prazo ou a documentação merecem revisão. Ainda assim, a taxa não explicaria sozinha a causa. Seriam necessários testes adicionais e, possivelmente, pesquisa voluntária.

Uma queda entre completude e elegibilidade indicaria o efeito agregado das regras. Não provaria que elas são injustas. Poderia motivar uma revisão sobre clareza, alcance ou adequação. A taxa da lista reduzida mostraria como o prestador reduziu o conjunto; a taxa final mostraria a discricionariedade do comitê sobre o grupo recebido. Separá-las impediria que toda a seleção fosse atribuída a um único órgão.

Com séries estáveis, seria possível perguntar se mudanças de regra alteraram o funil. Mas qualquer interpretação precisaria considerar o número e valor das bolsas, limites de submissão, comunicação, campos de estudo e calendário. Um aumento da taxa de seleção pode ocorrer porque menos pessoas se inscreveram, porque mais bolsas foram oferecidas ou porque a elegibilidade mudou. Transparência oferece melhores perguntas; não automatiza conclusões.

Dados demográficos exigem cuidado ainda maior. As fontes não informam a composição dos candidatos nem taxas por grupo. Um programa que declara propósito de ampliar participação pode desejar medir alcance, mas a coleta deve ser voluntária, justificada, protegida e agregada. Em amostras pequenas, categorias podem identificar pessoas. A ausência de dados não autoriza inferir resultados a partir de nomes, imagens ou instituições.

O mesmo princípio vale para necessidade financeira. O artigo não conhece renda, apoio de empregadores, recursos da instituição ou condição financeira dos candidatos. Não se pode afirmar que os selecionados eram os mais necessitados, que pessoas com menos recursos foram prejudicadas ou que o processo teve efeito discriminatório. Se necessidade fizer parte do propósito, o programa pode publicar a definição e um resultado agregado com salvaguardas, sem expor valores individuais.

Denominadores, portanto, não são um veredito. São a infraestrutura mínima para que promessas de acesso possam ser examinadas em sua escala correta. A lista de 12 de 2023 é útil porque ilumina uma etapa. Seu maior valor analítico talvez seja mostrar por contraste os números que faltam antes dela.

Benevolência não dispensa previsibilidade

Uma bolsa é um benefício. Isso não torna impertinente perguntar como ela é atribuída. Pelo contrário: quanto mais escassa e importante a oportunidade, mais necessário é que potenciais candidatos conheçam regras, prazos e autoridade. Pessoas com menos capacidade institucional podem ter menos margem para interpretar critérios vagos, reunir documentação inesperada ou absorver atrasos. As fontes deste artigo, porém, não mostram a renda dos candidatos, seu apoio institucional nem um efeito desigual. A análise deve parar antes de atribuir uma “penalidade” que não foi medida.

É possível sustentar uma proposição mais estreita. Procedimentos previsíveis reduzem o custo de entender e usar uma oportunidade para todos os candidatos. Um calendário claro, elegibilidade verificável, fatores de avaliação conhecidos e informação sobre as etapas ajudam qualquer pessoa a decidir se deve investir tempo. Contagens agregadas depois do ciclo permitem que a instituição avalie se o desenho está funcionando como pretendido.

A página de 2019 demonstra que publicar regras não é incompatível com a natureza do programa. Ela expunha média, matrícula, áreas, valor, máximo de bolsas, administrador e fechamento. O que faltava era o relato posterior das etapas realizadas. Um modelo completo teria duas metades: termos antes da candidatura e registro de decisão depois da conclusão. A primeira dá previsibilidade; a segunda, prestação de contas.

Nenhuma delas exige que o candidato conheça a comparação individual. Uma pessoa não selecionada pode não receber razões detalhadas públicas, especialmente quando isso revelaria avaliações ou terceiros. Ainda assim, deve poder saber que a regra anunciada foi a regra aplicada, qual órgão tomou a decisão e quantos candidatos atravessaram cada estágio. Essa é uma expectativa de processo, não uma reivindicação de prêmio.

Testes que poderiam enfraquecer esta crítica

Uma investigação responsável precisa dizer que evidência mudaria sua conclusão. A crítica perderia força substancial se a NANOG publicasse, para os anos em questão, uma série estável com total de candidaturas, contagens de candidaturas completas e elegíveis, método de lista reduzida, critérios e pesos, impedimentos agregados, número e valor de concessões, responsável decisório e resultados limitados. Não seria necessário divulgar um único dossiê individual.

Ela também enfraqueceria se uma restrição jurídica ou de privacidade claramente identificada explicasse por que determinada contagem agregada não pode ser apresentada. Em um conjunto pequeno, a organização pode justificar supressão. O importante é que a ausência tenha uma razão visível, em vez de deixar o leitor adivinhar se o dado não existe, não foi conservado ou não foi publicado.

Uma ponte financeira que reconciliasse as unidades de 2022 também reduziria a incerteza. Poderia mostrar que os US$ 20 mil descritos como dois prêmios, a despesa de programa de US$ 26.450 e a subvenção de US$ 10 mil à administradora pertenciam a componentes ou períodos distintos. Este artigo não afirma qual reconciliação é correta; afirma apenas que o documento de ponte não aparece no conjunto analisado.

Da mesma forma, uma declaração sobre a transição de 2023 e 2024 poderia esclarecer quem administrou o ciclo, quando a relação terminou, quem sucedeu o comitê e por que a linha de 2024 era zero. A explicação poderia confirmar continuidade, pausa, redesenho ou outra situação. Qualquer uma dessas respostas estreitaria o espaço de incerteza. A crítica não depende de encontrar uma irregularidade; depende de o leitor atualmente não conseguir reconstruir a cadeia.

A diferença entre confiança e possibilidade de verificação

É perfeitamente possível confiar que um administrador profissional e um comitê experiente atuaram corretamente. Confiança, contudo, não substitui um registro. Instituições mudam de prestador, integrantes, orçamento e estrutura. O que hoje é lembrado por quem participou pode desaparecer quando essas pessoas saem. Um arquivo agregado não acusa os agentes; preserva a explicação de seu trabalho.

Também há benefício para futuros gestores. Uma série anual mostra como o propósito foi traduzido em regras e onde ocorreram mudanças. Permite distinguir uma decisão de orçamento de uma queda de procura, ou uma reestruturação de uma descontinuidade. Sem denominadores, cada novo relatório começa quase do zero, com nomes e valores que não podem ser comparados de maneira segura.

Para potenciais candidatos, a verificação produz previsibilidade. Para doadores, membros ou leitores, mostra como uma oportunidade institucional foi distribuída. Para o Conselho, cria uma trilha de sucessão. Para administradores externos, delimita responsabilidade. Para o comitê, registra que sua escolha ocorreu sobre um conjunto produzido em etapa anterior. Cada parte ganha precisão.

O custo pode ser limitado se os campos forem incorporados ao fechamento do ciclo. Contagens que a administração já mantenha podem ser agregadas; critérios e papéis podem ser copiados dos termos vigentes; finanças podem ser ligadas ao exercício; regras de supressão podem ser aplicadas antes da publicação. A maior exigência é conceitual: não confundir saída visível com processo visível.

Há ainda uma vantagem de disciplina editorial. Quando cada relatório anual precisa preencher os mesmos campos, a organização é forçada a distinguir fato, propósito e interpretação. O propósito pode dizer por que a bolsa existe. As contagens mostram o que ocorreu no funil. Os depoimentos ilustram experiências consentidas. A contabilidade registra em que período e sob qual rubrica o dinheiro apareceu. Nenhuma camada precisa fingir que substitui as demais. Se um campo não estiver disponível, “não apurado” ou “suprimido por privacidade” é mais informativo do que deixá-lo desaparecer sem explicação.

Com o tempo, esse vocabulário estável permite que leitores reconheçam tanto continuidade quanto rupturas, sem presumir que toda mudança é fracasso ou que todo silêncio encobre problema. A prestação de contas se torna um hábito de descrição precisa, não um julgamento retrospectivo improvisado.

Quatro nomes não fecham a história

Em 2023, a NANOG forneceu uma peça que torna esta análise possível. Ao dizer que um prestador entregou as 12 candidaturas mais bem colocadas e que o Comitê de Bolsas escolheu quatro pessoas, ela revelou uma arquitetura em dois estágios. A publicação dos nomes reconheceu os beneficiários. A nomeação do comitê indicou quem atuou no último estágio. Esses são atos reais de transparência.

O registro termina, porém, exatamente onde as perguntas de processo começam. Não sabemos quantas submissões existiram, como a elegibilidade foi aplicada, o que produziu a lista, quais critérios guiaram o comitê, como impedimentos ou abstenções por conflito seriam tratados ou como a responsabilidade seguiu depois das mudanças. Não sabemos como alinhar todas as descrições financeiras de 2022. Não sabemos por que a linha de 2024 foi zero. E não devemos preencher esses espaços com acusações, causalidades ou políticas históricas tratadas como atuais.

O padrão adequado respeita duas verdades ao mesmo tempo. A primeira é que estudantes merecem privacidade: seus arquivos, referências, finanças, notas e rejeições não pertencem ao domínio público. A segunda é que uma instituição pode explicar a alocação de uma oportunidade escassa sem expor nenhum desses materiais. Contagens de etapas, regras, papéis, impedimentos agregados, valores e sucessão institucional descrevem o sistema, não a intimidade de quem participou.

Um registro anual de decisão daria à sequência de 2017 a 2024 a continuidade que hoje falta. Mostraria o que permaneceu, o que mudou e quem tinha controle em cada momento. Permitiria que uma linha de 12 fosse lida pelo que ela realmente é: um denominador intermediário, valioso mas incompleto. Atrás dos quatro nomes há pelo menos uma lista de 12. Atrás da lista há um processo que o público ainda não consegue ver por inteiro. Torná-lo legível, em termos agregados e com limites de privacidade explícitos, é uma forma de fortalecer — não de negar — o propósito da bolsa.

Fontes

  1. NANOG, arquivo da lista de participantes, mensagem de lançamento do programa em 2017: https://lists.nanog.org/archives/list/attendee%40lists.nanog.org/2017/5/
  2. NANOG, página arquivada das bolsas estudantis de 2019: https://archive.nanog.org/scholarships/home.html
  3. NANOG, relatório anual de 2019: https://storage.googleapis.com/site-media-prod/documents/2019-nanog-annual-report.pdf
  4. NANOG, relatório anual de 2021: https://storage.googleapis.com/site-media-prod/documents/NANOG-Annual_report-2021-03.pdf
  5. NANOG, relatório anual de 2022: https://storage.googleapis.com/site-media-prod/documents/nanog-annual_report-2022.pdf
  6. NANOG, Form 990 de 2022: https://storage.googleapis.com/site-media-prod/documents/990_2022.pdf
  7. NANOG, relatório anual de 2023: https://storage.googleapis.com/site-media-prod/documents/NANOG-Annual_report-2023.pdf
  8. NANOG, relatório anual de 2024: https://storage.googleapis.com/site-media-prod/documents/NANOG-Annual-Report-2024_FINAL.pdf
  9. NANOG, demonstrações financeiras auditadas de 2024: https://storage.googleapis.com/site-media-prod/documents/2024_Audit_NANOG_Inc..pdf
  10. NANOG, página pública de recursos: https://nanog.org/resources/
  11. ProPublica Nonprofit Explorer, NANOG Inc.: https://projects.propublica.org/nonprofits/organizations/272534183