Resumo

  • A venda de espectro à Verizon por US$ 1 bilhão foi concluída em 1º de junho de 2026 e o conselho declarou um dividendo especial de US$ 11,00 por ação, pago em 25 de junho, sem previsão de novos dividendos em 2026.
  • O TDS retirou em 1º de setembro de 2026 a proposta não vinculante de comprar as ações que ainda não detinha e mantém cerca de 82% da Array, deixando à subsidiária um contrato-âncora de torres com a T-Mobile e US$ 1.584,7 milhões em espectro retido, principalmente Banda C.
  • O teste dos próximos trimestres é operacional: cerca de 1.800 sites interinos que a T-Mobile pode cancelar torre a torre, dentro de um período de integração de 30 meses que termina em janeiro de 2028.

O que deixou de ser promessa

Em 1º de junho de 2026, a Array Digital Infrastructure — que ainda protocola documentos na SEC sob a antiga razão social United States Cellular Corporation — concluiu a venda de licenças de espectro à Verizon por US$ 1 bilhão em dinheiro, sob um Contrato de Compra de Licenças assinado em 17 de outubro de 2024 (registro na SEC). No mesmo dia, o conselho declarou dividendo especial em dinheiro de US$ 11,00 por ação, pago em 25 de junho de 2026 a acionistas registrados em 11 de junho, e a companhia informou não esperar dividendos adicionais em 2026; a decisão foi apresentada como independente da revisão do comitê especial do TDS (comunicado da companhia).

O trimestre encerrado em 30 de junho de 2026 consolida o programa de vendas de espectro: US$ 1.000,0 milhões à Verizon em 1º de junho; US$ 1.018,0 milhões à AT&T em 13 de janeiro, em faixas de 3,45 GHz e 700 MHz; US$ 74,8 milhões à T-Mobile em 5 de maio, em 700 MHz; e US$ 86,4 milhões à T-Mobile em 12 de maio, em 600 MHz. Cerca de US$ 168 milhões em vendas à T-Mobile, sobretudo em 700 MHz e 600 MHz, fecharam em maio. Os fechamentos do segundo trimestre geraram US$ 1.167,6 milhões em receita, com expectativa de aproximadamente US$ 250 milhões de imposto de renda em caixa, a maior parte devida no terceiro trimestre de 2026 sob o Acordo de Alocação Tributária do TDS. Duas parcelas seguem condicionais: os contratos de 5 de junho de 2026 com a T-Mobile, de US$ 10,2 milhões em 700 MHz e US$ 19,6 milhões em 600 MHz, permaneciam sujeitos a aprovação regulatória e a condições habituais de fechamento, com conclusão estimada em 2026. O valor contábil do espectro retido sem compromisso de venda era de US$ 1.584,7 milhões em 30 de junho de 2026, principalmente licenças de Banda C (formulário trimestral).

O livro de aluguéis que passou a sustentar a empresa

A contrapartida total da venda do negócio de celular à T-Mobile, fechada em 1º de agosto de 2025, foi de US$ 4.293,8 milhões — US$ 2.628,8 milhões em dinheiro e US$ 1.665,0 milhões em dívida assumida pela T-Mobile — e a transação deixou à Array o contrato de licença principal que hoje define sua economia: no mínimo 2.015 torres próprias adicionais em condições de pelo menos 15 anos, cerca de 1.800 sites interinos alugados torre a torre e canceláveis pelo inquilino por até 30 meses, e a prorrogação de aproximadamente 600 colocações existentes da T-Mobile por um novo prazo de 15 anos a partir de 1º de agosto de 2025. O ajuste estimado de preço a pagar à T-Mobile subiu para US$ 24,9 milhões em 30 de junho de 2026, ante US$ 20,2 milhões em 31 de dezembro de 2025: a contrapartida final da transação ainda está aberta (relatório anual de 2025).

A receita desses aluguéis interinos foi de US$ 6,7 milhões no segundo trimestre e de US$ 14,9 milhões no primeiro semestre de 2026, e a companhia espera que ela decline à medida que a T-Mobile encerre os contratos interinos ao longo do período de integração de 30 meses, que termina em janeiro de 2028. É nesse ponto que a conta deixa de ser contábil e passa a ser comercial: cada site interino convertido em torre do contrato-mestre vira receita contratada de prazo longo; cada rescisão simplesmente desaparece.

As métricas operacionais mostram o ponto de partida. A receita de aluguel de torres cresceu 95% na comparação anual no segundo trimestre de 2026, a ocupação passou de 0,96 em 31 de março para 0,98 em 30 de junho, e as colocações subiram de 4.290 para 4.362, já sem as colocações da DISH (resultados do segundo trimestre de 2026). A carteira soma 4.456 torres em 19 estados.

Quem ainda pode mudar o roteiro

Em 1º de setembro de 2026, o TDS retirou a proposta não vinculante de adquirir as ações da Array que ainda não detinha. O controlador, que segue com aproximadamente 82% do capital, disse esperar retomar as recompras de suas próprias ações — havia US$ 523,9 milhões disponíveis nos programas de recompra em 30 de junho de 2026 — e afirmou que as duas companhias pretendem, no curto prazo, intensificar os esforços para monetizar o espectro remanescente da Array (comunicado do TDS).

A proposta retirada pressupunha um dividendo pré-fechamento de US$ 10,40 por ação da Array, cerca de US$ 900 milhões, e uma relação de troca de 0,86 ação do TDS por ação da Array; a carta do TDS estimava ainda cerca de US$ 277 milhões em taxas e impostos contingentes sobre um programa de venda de espectro de US$ 1.177 milhões. O conselho da Array acabou declarando US$ 11,00 por ação em 1º de junho de 2026 — mais do que a transação pressupunha (documento do TDS na SEC).

O que os números do trimestre dizem

No segundo trimestre de 2026, a receita operacional total da Array foi de US$ 54,070 milhões, contra US$ 28,529 milhões um ano antes, e o EBITDA ajustado das operações continuadas foi de US$ 56,202 milhões, contra US$ 35,926 milhões. A base de inquilinos, porém, ficou mais concentrada por subtração: a companhia deixou de reconhecer receita da DISH a partir do primeiro trimestre de 2026, e a DISH Wireless e outras entidades do grupo pediram recuperação judicial em junho de 2026, com as colocações da DISH excluídas das métricas de ocupação (resultados do segundo trimestre de 2026).

O que ainda não mudou

O espectro retido de US$ 1.584,7 milhões continua sendo a maior incógnita de valor: a abordagem declarada é de monetização oportunista, sem comprador nem prazo divulgados, e o próprio TDS diz que as duas companhias vão intensificar essa monetização. Também não mudou o fato de que o ajuste de preço a pagar à T-Mobile segue em aberto, nem a possibilidade de o controlador retomar, em outra forma, uma transação que envolva a Array.

A companhia que emerge de 2026 é menor, mais simples e mais concentrada do que a operadora regional que já foi: um livro de aluguéis de torres ancorado em um único inquilino e um bloco de espectro à espera de comprador. Para o histórico da empresa e das transações citadas, veja a ficha da Array Digital Infrastructure no diretório da BTW.